Yves Saint Laurent – O talento deste artista dispensa apresentação. O famoso costureiro francês, que abandonou a alta costura em 2002 ao completar 40 anos de sucesso, recebeu-me em seu arquivo secreto pouco antes de nos deixar. Um dia inesquecível no qual fui convidada a penetrar no ambiente confidencial de um dos maiores mitos da costura francesa.

Iniciamos um passeio pelos grandes salões nos quais antigamente as coleções eram apresentadas às clientes. Ambiente luxuoso e mágico, nos faz pensar quantas mulheres suspiraram pelos tapetes espessos ao olharem as criações surpreendentes de monsieur YSL. Em seguida, passamos ao segundo andar, onde funciona o ateliê de restauração. Ao entrar, a sensação é de emergir num sofisticado laboratório: toda equi¬pe usando aventais brancos, luvas e calçados protegidos.

Debruçadas sobre grandes mesas, as talentosas mãos manuseiam delicadamente as obras de arte a serem restauradas. Trabalho meticuloso, de técnica e paciência. Cada bordado, cada fio deve voltar ao devido lugar. Algu¬mas peças levam meses, outras necessitam apenas de limpeza e prote¬ção apropriada para validar que essas roupas e acessórios provenientes do mundo inteiro e usadas por celebridades recebam a garantia de vida longa.

Desde o início de sua carreira, Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, seu cola¬borador inseparável, tiveram o cuidado de conservar os modelos mais importantes das coleções, bem como a totalidade dos desenhos e cro¬quis. A Fondation Pierre Bergé – Yves Saint Laurent possui mais de cinco mil itens de vestuário e 50 mil acessórios, desenhos, moldes em papel e objetos diversos. Uma equipe espalhada pelo mundo busca peças do costureiro para o acervo de maneira criteriosa. É preciso, sobretudo, certificar-se da autenticidade.

O sofisticado acervo de Saint Laurent pode rastrear a origem de cada peça por ele produzida em vida. É pos¬sível saber tudo: desde a boutique onde ela foi vendida, o nome da vendedora, o valor, até a costureira responsável pela confecção… Um verdadeiro exame de DNA! A fundação dispõe ainda da integralidade das reportagens e artigos de imprensa, dos vídeos das coleções e das entrevistas concedidas no mundo inteiro.

Após o ateliê de restauração, passamos à visita ao “compactus”. Um cor¬redor longo que nos leva a outra porta fortificada com código de caixa forte. Ao abrir, monumentais armários com indicadores de datas. Nova¬mente, senhas são digitadas e novas portas abrem-se sobre rodízios e impulsionadas por manivelas. A respiração para. Surge, em cada porta, um novo corredor. Desta vez, a sensação é de estar num sonho. Uma explosão de matérias preciosas, cores, ideias absolutamente diferen¬tes nos embargam. Peças conservadas a 15°C e 50% de umidade, em condições perfeitas de museologia, nos prometem outro momento de emoção. Um assistente, então, começa a mostrar cada uma das cria¬ções emblemáticas da carreira de Saint Laurent.

O primeiro vestido de YSL, ainda na Maison Dior, em 1958, o pretinho de Catherine Deneuve em A Bela do Dia, o vestido Mondrian, o primeiro smoking feminino. Permaneci, obviamente, longos minutos admirando a peça-culto do guarda-roupa inventada por Yves Sant Laurent: a saha¬rienne, criada em 1968 para uma capa de Vogue. Tornou-se um mito e, 42 anos depois, reside e resiste em modernidade total, assim como todas as peças icônicas que, durante décadas, acompanhamos em re¬vistas de moda, desfiles e filmes passados na televisão.

Postado por Stella Pelissari – Conexão em Paris – 21/09/2010

(Mundo do Marketing)