Jaqueline da Costa estava em seu quarto quando ouviu os tiros, por volta das 14h30min de ontem. Tomou um susto e foi para a rua ver o que tinha acontecido. O companheiro, soldado do Ronda do Quarteirão, havia acabado de sair de casa. Era dele o corpo estirado próximo à calçada. “É uma sensação muito ruim porque ninguém espera isso. Ele era um pessoa muito tranquila”, diz.

José Regineudes Freitas Reis de Melo, 27, havia saído de casa, à paisana, para fazer um pagamento, em sua moto. O veículo foi encontrado na calçada da residência e o corpo do policial a uma distância de cinco metros. “Pelo que a gente viu, dá a entender que alguém o chamou e ele desceu da moto. Depois, atiraram”, informa o comandante do Ronda do Quarteirão, tenente-coronel Werisleik Matias, que foi até o local do crime, na rua Clóvis Maia, no bairro Aerolândia.

O soldado do Ronda foi atingido com cinco tiros. “Foram dois no braço direito, dois na cabeça e um na altura do queixo. Pela quantidade de disparos e pelo contexto, tudo leva a crer que foi uma execução”, diz Werisleik. Nem a moto nem os R$ 500 que estavam com o policial foram levados pelos bandidos, o que afasta a possibilidade de ser um latrocínio (roubo seguido de morte).

O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios, criada para apurar os crimes de autoria desconhecida. Até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso. A única pista que os policiais tinham eram duas placas de veículo, anotadas por moradores da área. Testemunhas teriam visto um carro (Corsa ou Celta) “em atitude suspeita nas imediações”, segundo o coronel Werisleik. No veículo, estariam “dois ou três homens”. Há possibilidade da placa ser fria.

O soldado do Ronda estava há cinco meses de Licença para Tratamento de Saúde (LTS) por causa de um acidente de moto na área onde estava trabalhando, o Território da Paz, no Grande Bom Jardim. “Já estava perto dele voltar a trabalhar”, diz o comandante do Ronda. O capitão Alexandre Queiroz, da 4ª Companhia do 5° Batalhão, conta que já trabalhou com Regineudes. “Ele fazia parte do meu efetivo. Era um soldado tranquilo”, comenta.

A mulher do soldado diz que não tem ideia de quem o teria matado. “Nunca soube de ameaças. Ele era uma pessoa pacata. Ultimamente, por causa da licença, só saía de casa para ir ao médico ou fazer um pagamento”, afirma. A mãe de Jaqueline, Marilene Pereira, confirma. “Ele era uma pessoa excelente. E não é porque morreu não. Ele tratava muito bem a minha filha”, assegura.

Na noite de ontem, O POVO entrou em contato com o diretor da Divisão de Homicídios, Rodrigues Júnior. O delegado disse que não poderia informar sobre o caso para não atrapalhar as investigações. Ele disse apenas que estava tomando depoimentos. Rodrigues Júnior esteve no local do crime, durante a tarde.

E-Mais – Regineudo é da turma do Ronda do Quarteirão formada em setembro de 2009. Ele morava com a mulher e uma filha dela, de um outro relacionamento. Antes de ser policial, Regineudo trabalhava como técnico de informática. O casal estava junto há um ano.

Logo após o crime, a rua encheu de curiosos. Nenhuma das pessoas com que o O POVO conversou disse ter presenciado o homicídio. “Presenciar, eles presenciaram. Mas ninguém se manifesta”, diz o comandante do Ronda, Werisleik Matias.

É provável que os bandidos tenham levado a arma do PM. Segundo a esposa, o policial sempre andava armado. Mas a pistola ponto 40 não foi encontrada junto ao corpo.

Inicialmente, há duas pessoas suspeitas de ter cometido o crime, segundo a Polícia. Detalhes não foram divulgados para não atrapalhar as investigações.

OUTROS PMS MORTOS EM 2010

Outros sete policiais militares foram mortos este ano.

No dia 28 de janeiro, o soldado Antônio Sidney Barreto, 35, foi executado a tiros, em Caucaia, quando se dirigia ao trabalho em uma moto. Ele foi atingido por disparos na cabeça e nas costas, após ser abordado por dois homens, na estrada da Taquara.O PM trabalhava na Casa de Custódia de Caucaia.

No dia 2 de fevereiro, o cabo Francisco Chagas Leal (2º Batalhão) e o soldado José Wallison Alves Lisboa (Ronda do Quarteirão) foram mortos a tiros, em Barbalha, no Cariri, por um homem com dois mandados de prisão por homicídio, segundo a Polícia.

Um mês depois, o soldado Gildo Silva Sousa foi morto com dois disparos na cabeça, em Maranguape. Segundo a Polícia, o PM era acusado de envolvimento com uma quadrilha de clonadores de cartões.

No dia 2 de maio, um inspetor do 19º Distrito Policial (Conjunto Esperança) assassinou o soldado Jorge Helegário Medeiros Tamiarana, lotado na 5ª Companhia do 5º Batalhão (Centro), com um disparo na cabeça.De acordo com testemunhas, o motivo do crime teria sido uma discussão que os dois policiais tiveram dias antes.

No último dia 6, o cabo da PM Salomão Vitor Barroso foi assassinado com oito tiros em um sítio no município do Eusébio. Ele trabalhava na guarda do Quartel do Comando Geral e estaria no local fazendo um bico.

O outro caso foi o do soldado Edson Bonfim de Souza, 39, que estava na viatura metralhada por uma quadrilha no último dia 30, no município de Novo Oriente. Ele foi encaminhado para o Instituto Doutor José Frota (IJF) em estado grave. Recebeu alta e morreu em casa, 22 dias depois.

(O Povo)