Era tanta moto que a vista não alcançava o fim da concentração de fiéis para a 24ª Motorromaria de Fortaleza a Canindé, município a 120 quilômetros da Capital, na manhã de ontem, na avenida Mister Hull. Entre a Faculdade de Agronomia e o Colégio da Polícia Militar, eles tomavam toda uma faixa da avenida, desfilando os mais variados modelos de motos, alegrias e devoções.

A peregrinação que neste ano reúne cerca de 50 mil pessoas, segundo estimativa da organização do evento, começou com uma promessa feita por apenas um motociclista. Francisca Maia, da organização do evento, conta que em 1983 o marido, Edson Maia, sofreu um acidente grave de moto, com queimaduras por conta de óleo quente derramado no asfalto. “Para agradecer a recuperação a São Francisco, ele prometeu que todos os anos faria essa romaria. No primeiro ano foram cinco, depois dez, hoje já se tornou tradição”, explica.

E se engana quem logo imagina uma procissão de fiéis vestidos de marrom quando o agradecimento é a São Francisco. Na motorromaria, o santo é lembrado nas camisas que estampam a marca de moto clubes e nas camisas oficiais do evento – vendidas a R$ 10 e com renda revertida para despesas e doações a instituições de caridade, de acordo com a organização.

Agradecimentos

O comerciante Michel Guedes, há dez anos na motorromaria, diz que participa por gratidão a São Francisco, a quem atribui intercessão na cura de um câncer da esposa. Guedes diz que o santo é bom em causas como finanças, saúde e proteção da família. “Ele é sempre meu amigo”, garante, antes de partir na sua moto Harley-Davidson.

Identificadas principalmente pelos capacetes róseos, as mulheres também marcam presença no evento. A funcionária pública Maricélia Falcão conta que pelo primeiro ano, em 18 de romaria, vai sem os filhos, também motoqueiros. “Somos 12 motoqueiros na família. Agradecemos pelo ano todo sem ter acontecido nada com a gente”, destaca.

E-Mais

SOBRE A MOTORROMARIA O trajeto da motorromaria termina na Praça dos Romeiros, em Canindé, onde fiéis, motos e capacetes recebem as bênçãos de frei João Amilton dos Santos, pároco da Basílica de São Francisco das Chagas.

Por volta de meio-dia ocorre confraternização num clube da cidade.

Viatura do Corpo de Bombeiros, duas do Samu e três carros da Polícia Rodoviária Federal acompanharam a saída do cortejo, na avenida Mister Hull, em Fortaleza.

Ativistas aproveitaram a concentração de motoqueiros para distribuir bandeirinhas de candidatos. Em alguns trechos, a propaganda política atrapalhava o fluxo das motos.

Na saída de Fortaleza, a reportagem do O POVO flagrou um motoqueiro levando uma criança na garupa de uma moto, o que é proibido pelo cógigo de trânsito.

Quando o assunto é fé, até Papai Noel se vale de São Francisco. Como já é tradição, o motociclista Liduíno Lima Filho participa da motorromaria com fantasia de bom velhinho, levando saco repleto de brinquedos, pipocas e bombons.

“Vou mais para agradecer do que para pedir. Faço isso todos os anos para incentivar que as pessoas tirem um dia para se doar aos outros”, recomenda.

(O Povo Online)

Anúncios