“O palhaço Tiririca (PR), que provoca risos e polêmica desde que suas controversas propagandas foram ao ar na TV, seria, se a eleição fosse hoje, o deputado federal mais votado em todo o país. Pesquisa Datafolha mostra que ele obteria 3% dos votos em São Paulo, chegando a 900 mil, considerando-se a proporção de 30 milhões de eleitores do Estado.

Tiririca venceria políticos tradicionais como o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) que, assim como o também deputado Márcio França (PSB-SP), aparece na sequência, com 1% dos votos, chegando a uma estimativa de cerca de 300 mil cada um. Tiririca teria mais votos do que Maluf teve nas eleições de 2006, quando foi o deputado mais votado em todo o Brasil, com 739 mil votos.

Em termos absolutos, em toda a história só perderia para Enéas Carneiro, morto em 2007, que nas eleições de 2002 foi anotado na urna por 1,5 milhão de eleitores. Outras votações históricas, como a de Lula em 1986 – 650 mil -, também seriam superadas. Neste caso, ressalve-se, o colégio eleitoral era menor do que o de hoje. O interesse sobre o palhaço é tanto que, desde a semana de 15 de agosto, o Google afere mais buscas por Tiririca do que por Dilma Rousseff, José Serra ou Marina Silva.

Alvos
Por causa de sua propaganda -”vote Tiririca, pior que tá não fica”, “o que faz um deputado federal? na realidade eu não sei”–, cujo texto teve a participação de integrantes do grupo de humor Café com Bobagem, com quem trabalhou em “A Praça é Nossa”, do SBT, o palhaço virou mote de adversários.

Já foi criticado por candidatos como Márcio França – que investiu no discurso de que política é coisa séria–, socado simbolicamente por Maguila (PTN) e levou Paulo Skaf (PSB) a mostrar imagem de si próprio como palhaço. Além deles, Said Mourad (PSC) usou um candidato falso (“Larica 0000″), vestido como Tiririca, para logo advertir que “voto não é piada”. Fora da TV, até aliados como Aloizio Mercadante (PT), que tem o apoio do PR na eleição paulista, vieram a criticá-lo. O petista pediu ao eleitor, em debate Folha/RedeTV! desta semana, que não transformasse o voto “em um protesto” e que votasse em políticos sérios.

(Folha.com)
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