Baiano de Itapetinga, ele é médico, mas sua projeção ocorreu em outra área, o esporte. Foi por causa da passagem pelo ministério do governo de Luiz Inácio Lula da Silva que Agnelo Queiroz deixou o patamar de candidato a deputado federal e deu um salto para as disputas majoritárias. Por três anos e meio, o petista se tornou uma espécie de popstar no métier dos atletas. Subiu em pódios ao lado de estrelas do futebol, atletismo, basquete e de tenistas famosos. Na sua trajetória, sempre deu atenção especial ao esporte. Ele é um dos autores da Lei Piva, que destina 2% dos recursos das loterias federais para os comitês olímpico e paraolímpico.

Em 2006, na crista da onda e logo depois de deixar a pasta, ele tentou concorrer ao Governo do Distrito Federal. Num partido minúsculo, em que esteve filiado por duas décadas, Agnelo não conseguiu reunir apoio suficiente para viabilizar o projeto. Concorreu ao Senado e, apesar de não ter sido eleito, surpreendeu. Obteve mais de meio milhão de votos, quantidade que representa 43% do eleitorado, índice bastante expressivo para um candidato de primeira viagem.

Abalado por ter chegado tão perto de uma cadeira no tapete azul do Congresso Nacional, Agnelo resolveu ser pragmático. Dois anos antes das eleições, o político mudou de partido. Trocou o PCdoB pelo PT de Lula. Deu certo. A vaga de candidato ao Buriti foi conquistada depois de um longo caminho de embates internos, em que teve de derrotar petistas históricos, como o deputado federal Geraldo Magela, que lutava pela indicação ao governo.

Se como ministro do Esporte Agnelo cresceu na política, foi do alto do cargo que surgiram ressalvas a sua atuação. Depois de um mandato como deputado distrital na primeira composição da Câmara Legislativa e de três na condição de deputado federal, Agnelo foi alvo de uma primeira suspeita de irregularidade quando viajou para São Domingo durante os Jogos Panamericanos de 2003. Ele teve as diárias pagas por duas fontes: Ministério do Esporte e Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Com a má repercussão do episódio, Agnelo devolveu o dinheiro (R$ 11 mil à época) aos cofres públicos.

Agnelo também recebeu críticas pela distribuição de recursos do programa Segundo Tempo para entidades sem fins lucrativos. Há investigação em curso que apura supostos desvios na aplicação do dinheiro destinado a uma organização om vínculos com o PCdoB, seu ex-partido. O caso foi batizado como Operação Shaolin, referência ao maior mestre do Kung Fu, uma das atividades ensinadas pela entidade sob suspeita.

Primeiro colocado nas pesquisas para o GDF, Agnelo construiu sua liderança com tática. Colou sua imagem à de Lula, o principal cabo eleitoral nestas eleições. E conquistou o apoio do PMDB, partido que sempre deu sustentação ao seu principal adversário, Joaquim Roriz, hoje filiado ao PSC. Colocou a seu lado na chapa, o ex-braço direito de Roriz, o deputado federal Tadeu Filippelli, e se cercou de outros 10 partidos que esperam dividir com ele o poder. Casado com Ilza, Agnelo é pai de três filhos. Aos 51 anos, promete aproveitar o know-how na medicina para tornar o DF uma referência em saúde pública.

(Correio Brasiliense)

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