PORTO ALEGRE- Um sargento que trabalhava na Casa Civil do governo gaúcho foi preso nesta sexta-feira em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, acusado de extorquir dinheiro de contraventores e acessar dados oficiais sigilosos. Segundo o promotor criminal Amilcar Macedo, de Canoas, o sargento César Rodrigues de Carvalho, da Brigada Militar, acessou dados de autoridades do Ministério Público e da polícia, de candidatos, de diretórios do PT, de petistas, de políticos de “partidos de oposição”, de um e-ministro e de um senador.

Na terça-feira, o sargento foi exonerado da Casa Militar, depois de o Ministério Público obter na Justiça a prisão preventiva dele. Nesse mesmo dia, de acordo com o Diário Oficial, ele recebera uma função gratificada, informou o site do “Zero Hora”. O sargento foi flagrado usando carro oficial da segurança da governadora, Yeda Crusius (PSDB), para cobrar propina de bingos. Um oficial da Brigada Militar, que não teve o nome divulgado, também será investigado por suposto envolvimento nas irregularidades.

O sargento tinha acesso ao Sistema de Consultas Integrado, que reúne informações como nomes, telefones, processos judiciais e ocorrências policiais. Em um ano, ele teria feito cerca de 10 mil consultas, com senha de acesso total, disse o G1. A prisão do militar, que faria contrainteligência para espiar quem o investigava, estava prevista para os próximos dias. Mas foi antecipada para que as investigações não fossem prejudicadas.

– Essa quantidade de consultas por si só não tem muita repercussão. O problema é quem ele estava consultando. Se consultasse pessoas que poderiam colocar em risco a segurança da governadora, está bem justificado. A função da Casa Militar é essa: proteger a integridade física da governadora e das pessoas a ela ligadas – disse o promotor.

As investigações começaram há três meses, quando um contraventor que opera caça-níqueis denunciou que estava sendo extorquido por um integrante da Brigada Militar. Vídeos apreendidos mostrariam o sargento recebendo propina. O contraventor também teria feito depósitos ao sargento.

A Brigada Militar disse que acompanha o caso.

(O Globo Eleições)