Carla Bruni e Nicolas Sarkozy

Diário chama “prostituta” à primeira dama francesa, solidária com Sakineh Ashtiani.

“Imoral” e “prostituta”. Estes foram os termos usados por um jornal pró-governamental iraniano para qualificar Carla Bruni. Uma acusação repetida no site do grupo de imprensa de que faz parte o diário ultra-ortodoxo Kayhan, que costuma ser fiel à linha oficial de Teerão. A linguagem utilizada não poderia ser mais injuriosa: “As prostitutas francesas unem-se aos protestos pelos direitos humanos.”

Bruni, mulher do Presidente Nicolas Sarkozy, e também a actriz francesa Isabelle Adjani são particularmente visadas por terem expressado apoio público a Sakineh Mohammadi-Ashtiani, uma iraniana de 43 anos, mãe de dois filhos condenada à morte por alegado adultério e por suposto envolvimento na morte do marido.

Isabelle Adjani

O Kayhan, alinhado com o Governo do Presidente Mahmoud Ahmadinejad, menciona Carla Bruni como uma “actriz e cantora depravada, que conseguiu despedaçar a família Sarzoky e desposar o Presidente francês”.

E prossegue nestes termos, de acordo com a tradução difundida pelas agências internacionais: “Os antecedentes [de Bruni] demonstram claramente por que motivo esta mulher imoral decidiu apoiar uma mulher condenada por ter cometido adultério e ser cúmplice da morte do seu marido.” É ainda feita uma alusão às “numerosas” relações que a actual primeira dama francesa terá mantido antes do casamento com Sarkozy.

Isabelle Adjani, um dos nomes mais prestigiados do cinema francês, cinco vezes galardoada com o César de melhor actriz, é igualmente contemplada com frases difamatórias. O jornal iraniano chama-lhe “actriz francesa de moral corrupta”.

Fundado em 1943, o Kayhan é o mais conservador dos jornais iranianos. Com uma tiragem média de 70 mil exemplares, a sua linha editorial é totalmente alinhada com a elite religiosa que lidera o país há mais de três décadas.

A indignação de Teerão deve-se à carta aberta subscrita por Carla Bruni em apoio de Ashtiani, que está presa há cinco anos e poderá vir a ser apedrejada até à morte caso se confirme a sentença a que foi condenada.

Na carta, divulgada sábado – dia em que 111 cidades do mundo, incluindo Paris e Lisboa, se mobilizaram em defesa da iraniana -, a primeira dama garantia que “a França não abandonará” Sakineh Ashtiani.

A diplomacia francesa – e o próprio Presidente – tem pressionado as autoridades iranianas para revogarem a pena de morte aplicada à iraniana. Sarkozy já defendeu mesmo a imposição de sanções ao regime de Teerão se não for banida a lapidação do código penal iraniano.

Desde a instauração da República Islâmica no Irão, em 1979, já foram ali executadas por apedrejamento pelo menos 150 pessoas. O adultério é um dos “crimes” que, nos temos do código penal iraniano, justificam aquela pena.

Organizações humanitárias internacionais denunciaram a falta de condições de defesa de Sakineh. Em Julho, o seu advogado viu-se forçado a abandonar o Irão por estar a ser alvo de perseguição policial, recebendo asilo do Governo norueguês. A mulher e um cunhado foram detidos já depois de se ter ausentado do país.

(Diário de Lisboa)

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