São Paulo – Você fala inglês fluente, domina as novas normas contábeis, tem experiência de no mínimo cinco anos no setor financeiro e de contabilidade? Então, cheque seu holerite. Há grandes chances de você estar entre os profissionais que mais tiveram aumento salarial em 2010 com relação ao ano passado.

É o que aponta pesquisa divulgada pela consultoria Robert Half – confira a Tabela de Salários atualizada.

Os novos dados comprovam o que os especialistas martelavam desde o início do ano: o mercado de trabalho brasileiro está vivendo um momento de real aquecimento.

De acordo com o estudo, o setor de finanças e contabilidade apresentou as maiores valorizações salariais.

Um dos fatores para isso, de acordo com Fernando Mantovani, diretor de operações da Robert Half, é a adoção das novas regras de contabilidade e o aumento do número de empresas de capital aberto no país. (saiba mais na matéria O contador ideal que as empresas procuram)

Dessa forma, no ano passado, um controller que trabalhava em empresas de pequeno e médio porte recebia, em média, uma remuneração de 7 a 12 mil reais. Este ano, o salário desses profissionais pulou para 16 mil reais. Nas empresas de grande porte, o teto salarial para esse cargo pulou de 21 mil reais para 23 mil reais.

Na área de Marketing e Vendas, o destaque salarial fica para o cargo de gerente de desenvolvimento de negócios. Já na área de Tecnologia da Informação, ganharam mais valorização os profissionais que ocupam os cargos de Analista de Business Intelligence.

Em engenharia, profissionais da área de fusões e aquisições, além de setores ligados ao crédito, estão na lista de destaques. Por outro lado, em engenharia, a valorização salarial foi para o setor da construção civil.

Recém-formados
A ebulição do mercado, no entanto, não necessariamente se traduz num aumento da faixa salarial média de todos cargos. “As mudanças estão no meio da faixa salarial. Por exemplo, com o aumento da demanda, mais profissionais com menos experiência estão sendo promovidos”, explica Fernando Mantovani, diretor de operações da Robert Half.

O setor de engenharia é um exemplo prático disso. Apesar do aumento da demanda por novos profissionais na área, alguns do setor tiveram um achatamento salarial. Isso se deve, em parte, à um processo de juniorização da categoria.

Diante da escassez de mão de obra qualificada, as empresas de engenharia estão apostando em profissionais recém-formados ou com pouca experiência no mercado.

Por conta disso, o piso salarial de um  Engenheiro de Aplicação/ Processos caiu para a faixa de 2 a 2,5 mil reais. No ano passado, essa remuneração, em média, era de 2,5 a 3,5 mil reais.

“E isso não acontece porque as empresas estão querendo pagar menos”, explica o diretor. “É porque não encontram profissionais com o perfil e experiência desejada”.

(Portal Exame)