No que depender da maioria dos cearenses, algumas das ideias mais polêmicas que tramitam pelo Congresso Nacional não devem sair do papel. Prova disso é que nada menos que 70% dos cearenses ouvidos pela pesquisa O POVO/Datafolha querem que a lei sobre aborto permaneça como está, mandando para a gaveta propostas de descriminalizar a prática, como já chegou a apregoar até o ministro da Saúde, José Temporão.

Já sobre a legalização da maconha, 83% dos entrevistados afirmaram ser contra, enquanto 57% se disseram contrários ao casamento entre pessoas de mesmo sexo.

Além de saber o que pensa a população, O POVO também foi saber qual a opinião sobre esses temas daqueles que querem representar os cearenses no Senado, onde tramitam projetos sobre os assuntos em questão. Alguns responderam de forma enfática, mesmo correndo o risco de desagradar ao eleitorado, enquanto outros preferiram a zona de conforto da abstenção.

Geralmente ligado a temas religiosos e, por isso mesmo, causador de divergências, o aborto atualmente é permitido apenas em casos de estupro e risco de vida para a mãe. Mas projetos em andamento preveem ampliar a permissão. No Ceará, apenas 12% dos entrevistados acham que a prática deve deixar de ser crime em qualquer caso, enquanto 11% querem atenuar a lei.

Quanto ao uso de maconha deixar de ser crime, só 14% dos cearenses entrevistados concordam com essa tese. Outros 2% são indiferentes ao assunto, que já foi estudado pelo Governo Federal na revisão da chamada lei antidrogas – 11.343/06 e vem recebendo apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Já previsto em outros países, o casamento entre pessoas de mesmo sexo foi visto com simpatia por apenas 26% dos cearenses ouvidos pelo Datafolha. Houve ainda 15% dos entrevistados se mostraram indiferente ao assunto.

A proposta – de autoria da então deputada federal Marta Suplicy (PT-SP) – está na Câmara dos Deputados há cerca de 15 anos.

A pesquisa ouviu 937 cearenses, com 16 anos ou mais, nos dias 24 e 25 de agosto últimos, em 41 municípios. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Reflexo

Demonstrando sintonia com o que pensa a maioria da população, os candidatos cearenses também responderam na mesma linha. Dos 10 candidatos a senador procurados pelo O POVO, apenas dois se disseram a favor da legalização do aborto. Dois preferiram não marcar a resposta objetiva. Quatro se mostraram contra e outros dois não responderam às questões encaminhadas.

Já com relação à possibilidade de descriminalização do uso da maconha, o placar foi menos apertado. Cinco candidatos se posicionaram contra, enquanto um se absteve. Apenas os candidatos Raquel Dias e Reginaldo Araújo – ambos do PSTU – afirmaram ser favoráveis a que o uso de maconha deixe de ser crime.

Já com relação à regulamentação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, nenhum dos candidatos se posicionou contra. Mas três se abstiveram de marcar resposta objetiva.

Nas próximas páginas, confira o que os candidatos a representar os cearenses no Senado pensam a respeito desses e outros temas polêmicos.

A PESQUISA

A pesquisa do Datafolha é um levantamento por amostragem estratificada por sexo e idade com sorteio aleatório dos entrevistados.

Neste levantamento realizado do dia 24 ao dia 25 de agosto de 2010, foram realizadas 937 entrevistas em 41 municípios, com margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos considerando um nível de confiança de 95%. Isso significa que se fossem realizados 100 levantamentos com a mesma metodologia, em 95 os resultados estariam dentro da margem de erro.

A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) com o número – 47801/2010 e no Tribunal Superior Eleitoral com o número – 25472/2010.

(O Povo Online)

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