O fim do assédio moral nos bancos foi o tema central da primeira rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na reunião realizada na tarde da última terça-feira, dia 24, em São Paulo.

Os banqueiros já admitem que o problema é uma realidade nas agências e departamentos. “Durante muito tempo os bancos negaram a existência do assédio moral. O fato de eles admitirem o problema já é um avanço, mas não o suficiente. É preciso criar medidas práticas de prevenção e de punição dos assediadores”, disse o presidente do Sindicato, Almir Aguiar, que participou do encontro.
O tema é uma das maiores preocupações da categoria, como revelou a pesquisa realizada nacionalmente pela Contraf-CUT. Cerca de 80% dos bancários apontaram as metas abusivas e o assédio moral como os principais problemas enfrentados pelos funcionários nos locais de trabalho.

Impasses

Não há consenso entre patrões e trabalhadores em relação às formas de combate a essa forma de violência psicológica, uma das principais causadoras do aumento de doenças ocupacionais nos bancos. Mas as empresas se comprometem a fazer treinamento com seus gestores sobre o combate ao assédio. Entretanto, os bancos não aceitam negociar o conteúdo desses treinamentos com os sindicatos. As entidades  querem produzir, em conjunto, as cartilhas de prevenção ao assédio moral e sexual. “A visão e a experiência dos sindicatos neste assunto são  fundamentais para a criação de mecanismos que contribuam para o fim dessas práticas”, destaca Almir.

Outro impasse está relacionado ao fato de os bancos quererem manter em sigilo os nomes dos denunciados. “A denúncia pública dos assediadores é uma forma educativa e fundamental para pôr fim ao assédio”, conclui o sindicalista.

Garantia de função

Os bancários querem ainda determinar um prazo máximo de 60 dias para que os bancos apurem as denúncias feitas pela categoria aos sindicatos. O nome dos denunciantes seria preservado.

Outras questões sobre saúde foram debatidas, como a garantia de função para quem retornar de licença-médica e o abono de faltas dos bancários com deficiência para manutenção de suas próteses. Os representantes da Fenaban ficaram de dar uma resposta nas próximas rodadas de negociação, previstas para os dias 1º e 2 de setembro.

Mobilização

O Sindicato realiza nesta quinta-feira, 26, mais uma caravana de mobilização da campanha nacional da categoria, desta vez no Jardim Botânico e na Gávea.

Calendário de negociações

  • Data
  • 1º e 2/9 – Saúde do trabalhador e segurança bancária.
  • 3/9 -CEF: Saúde e condições de trabalho
  • 8 e 9/9 -Emprego e condições de trabalho.
  • 10/9 -CEF: Isonomia.
  • 15 e 16/9 -Remuneração.

(Bancários RJ)