A China anunciou nesta sexta-feira ter tomado o posto do Japão como a segunda maior economia do mundo.

“A China já é agora, de fato, a segunda maior economia do mundo”, informou Yi Gang, vice-presidente do banco central chinês e chefe do órgão regulador de câmbio, hoje em uma entrevista à revista “China Reform”, publicada também no portal do governo chinês.

No entanto, a conclusão de Yi Gang, que mexe profundamente com a ordem econômica mundial, não foi explicada e o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro semestre do Japão deve ser divulgado apenas em meados de agosto — o que coloca em dúvida a afirmação feita pelo vice-presidente do BC chinês.

A China cresceu 11,1% no primeiro semestre de 2010 sobre igual período do ano passado. A expansão do país vem registrando uma média anual de mais de 9,5% desde que adotou reformas de mercado em 1978.

Nos primeiros seis meses do ano, o PIB chinês chegou a 17,28 trilhões de yuans, segundo a Agência Nacional de Estatísticas, ou seja, US$ 2,55 trilhões, segundo o índice de câmbio mensal do Banco Central.

A China conseguiu fazer frente à crise econômica mundial graças a um plano de reativação gigantesco de 4 trilhões de yuans (US$ 586 bilhões) e a empréstimos bancários, que foram quase duplicados para chegar, em 2009, a 9,6 trilhões de yuans.

Em 2009, o país já havia chegado perto de superar o Japão, em decorrência das três últimas décadas de forte crescimento.

Projeções do Banco Mundial, do Goldman Sachs e de outros economistas apontam que, dependendo de quão rápido o câmbio suba, a China caminha para superar também os Estados Unidos e liderar o ranking global por volta de 2025.

DEMANDA EUROPEIA

Hoje, quase simultaneamente com a declaração do vice-presidente do BC chinês, o governo japonês anunciou redução de 1,5% no ritmo de produção industrial (em junho em comparação com o mês anterior), em decorrência de uma menor demanda na Europa e na China, mas também dentro do Japão.

Nesta terça-feira (27) o Banco Popular da China disse em comunicado que a crise de dívida da Europa não está tendo um grande efeito sobre a economia nacional.

DESACELERAÇÃO

No dia 14 de julho, o governo chinês já anunciara que o crescimento da economia se desacelerou para 10,3% no segundo trimestre deste ano, pouco abaixo do previsto pelos analistas.

Mas, segundo o governo, a desaceleração aponta para um menor risco de superaquecimento da economia e dá a oportunidade à China de continuar a tomar medidas para restringir os empréstimos concedidos pelos bancos, já que existe o temor de bolha no país.

(Folha Online)