Depois de quase dois anos de negociação, o Banco de Brasília (BRB) pôs um ponto final nas conversas envolvendo a sua venda para o Banco do Brasil (BB). A desistência da operação será comunicada ao mercado nos próximos dias, seguindo a determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula e fiscaliza as bolsas de valores. O Governo do Distrito Federal (GDF) achou por bem manter o controle da instituição, por entender que o melhor momento para um acerto com o BB ficou para trás. A transação foi atropelada pela Operação Caixa de Pandora, detonada no início deste ano, que derrubou o então governador, José Roberto Arruda, e seu vice, Paulo Octávio. Para completar, às vésperas das eleições, não há mais clima para a aprovação da venda do BRB na Câmara Distrital, também esfacelada por denúncias de corrupção.

Por questão de sobrevivência, o BRB ampliará seu foco de atuação. Em vez de oferecer produtos apenas para servidores do GDF, passará a atacar todos os públicos hoje atendidos pelos concorrentes. O primeiro passo nesse sentido foi dado pela sua financeira, que fechou contrato com vários órgãos do governo federal, com o Judiciário e o Legislativo para oferecer crédito consignado (com desconto em folha). A ordem é entrar com tudo na Esplanada. Foi fechada ainda uma parceria com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para empréstimos a aposentados e pensionistas.

A próxima etapa se dará por meio da empresa de cartões. Hoje, o BRB só pode oferecer o dinheiro de plástico para os servidores distritais. São 180 mil clientes ativos que usam cartões de débito e de crédito. Ao quebrar a barreira, oferecendo esses produtos a qualquer pessoa, o banco planeja chegar a 400 mil usuários em, no máximo, três anos. Outra frente a ser atacada é a do crédito imobiliário, que fideliza os correntistas a longo prazo — em média, os empréstimos são de 20 anos.

Essa estratégia tem uma única explicação: a partir de janeiro de 2012, o Banco de Brasília perderá a exclusividade das contas dos servidores do GDF. Ou seja, eles poderão escolher em qual instituição receberão seus salários. A folha de pagamento do funcionalismo distrital, superior a R$ 10 bilhões por ano, é o maior ativo da instituição. Era justamente ela o maior objeto de desejo do BB. A atual direção do BRB decidiu também transformar a instituição no “Banco do Centro-Oeste”, com a abertura de agências em Cuiabá (MG) e em Campo Grande (MS).

Namoro
O fim do namoro entre o BRB e o Banco do Brasil começou a fazer água ainda com Arruda no poder. O ex-governador insistia em pedir R$ 1,2 bilhão pelo controle da instituição distrital. De posse de todas as informações, o BB chegou a oferecer, no máximo, R$ 900 milhões, com esse valor podendo ser reduzido caso se descobrisse algum rombo depois de fechado o negócio. Arruda manteve a posição, sustentado por pressões de bancos privados. O Bradesco e o Santander manifestaram interesse em participar de um eventual leilão do BRB, temendo um crescimento espetacular do BB na capital do país.

Pelos dados enviados ao Banco Central, o BRB tinha, em março, ativos totais de R$ 6,5 bilhões, situando-se entre as 40 maiores instituições financeiras do Brasil. Com os lucros registrados nos últimos semestres, o banco distrital pôde reforçar seu patrimônio e corrigir uma deficiência de caixa próxima de R$ 300 milhões no fim de 2006. O BRB tem 100 pontos de atendimento no Distrito Federal.

LUCRO RECORDE DE R$ 30 MILHÕES
» O Banco de Brasília (BRB) bateu mais um recorde em junho, quando lucrou R$ 30 milhões — o melhor resultado da história do banco em um único mês. No acumulado do ano, o BRB alcançou R$ 101,12 milhões de lucro, o que corresponde a um crescimento de 41% na comparação com os primeiros seis meses do ano passado, quando o montante não passou de R$ 71 milhões. Os números, divulgados ontem, serão detalhados no balanço do banco, previsto para ser publicado na segunda quinzena de agosto. Em 2009, o BRB obteve o maior lucro líquido de sua história: foram R$ 190,5 milhões, 72,6% a mais do que o resultado de 2008.

O valor alcançado no primeiro semestre deste ano ultrapassa a metade do total do ano passado.


(Diego Amorim – Correio Brasiliense)