Por conta do alto número de assaltos a bancos registrados neste ano no Ceará, o Sindicato dos Bancários do Estado quer que a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) crie uma delegacia especializada nesse tipo de crime. A demanda foi colocada em pauta, ontem, durante reunião entre representantes da entidade e o titular do órgão, Roberto Monteiro. 

De janeiro a junho deste ano, o Sindicato aponta que 12 assaltos a agências bancárias aconteceram. Todos no Interior. Se contabilizadas ações como arrombamentos e ataques a carros-fortes e caixas eletrônicos, o total vai a 15 – índice superior ao do mesmo período do ano passado, quando 14 ocorrências gerais foram registradas.

Nos sete primeiros meses de 2008, foram quatro os casos com essas características, conforme o Sindicato. “Esse caos é decorrente da falta de eficácia da inteligência policial e da falta de investimento em segurança nas agências”, avaliou o presidente Carlos Eduardo Bezerra.

Ele garantiu que os bancos têm sido multados por não cumprirem planos de segurança. Porém, acredita que os crimes só diminuirão com a criação da especializada. “Porque os ataques com dinamites de Pernambuco que migraram para a Paraíba estão indo para o Rio Grande do Norte e vindo para cá”, argumentou.

Em conjunto –  Apesar de dizer que vai avaliar a proposta, Roberto Monteiro ponderou que, por ora, não avalia a delegacia como necessidade pelo fato de especializadas de outros setores ainda não terem saído do papel. 

O secretário argumentou que um trabalho conjunto com os demais estados nordestinos precisa ser feito para acabar com um fenômeno chamado de “novo cangaço”. São grupos com armas de grosso calibre que invadem cidades do Interior e praticam assaltos. O tema será objeto de um encontro em Foz do Iguaçu (PR).

Monteiro chegou a declarar que não considera alarmantes os 12 assaltos a bancos deste ano. “Estão preocupantes, mas não como os homicídios, em que houve um aumento de 52%”, comparou.

Ele admitiu, no entanto, que os ataques acontecem principalmente por dois motivos: o pouco investimento dos próprios bancos em segurança privada e o baixo efetivo policial de algumas
localidades cearenses.

Essa última, Roberto Monteiro tachou de “herança”. “Sabemos que há cidades em que o policiamento se reduz a três homens. Três homens mal podem tomar conta de uma delegacia, quanto mais de um município inteiro. Mas estamos procurando melhorar”, contrapôs.

Como exemplo, citou que 1.689 novos praças da Polícia Militar devem ser nomeados até o começo de agosto. De acordo com ele, os PMs vão atuar, prioritariamente, no Interior – seja no Programa Ronda do Quarteirão, seja no policiamento de rua.

 E-MAIS  

Segundo o Sindicato dos Bancários, 634 agências estão espalhadas por todo o Ceará. 

O Banco do Brasil é o que mais sofre com assaltos. Segundo relatório do Sindicato, foram nove assaltos entre janeiro e julho deste ano. 

O Bradesco fecha a lista das 12 ocorrências ao ter três assaltos sofridos no ano de 2010.  

Foram 11 as cidades-sede dos assaltos no Ceará: Lavras da Mangabeira, Reriutaba, Monsenhor Tabosa, Piquet Carneiro, Orós, Saboeiro, Nova Russas, Aiuaba, Guaraciaba do Norte, Banabuiú e Pedra Branca.  

Em Reriutaba, a agência do Banco do Brasil só voltou a operar na última segunda-feira, 13 dias após o assalto. Os funcionários tinham medo de retomar o expediente.

(O Povo Online)