O EFEITO LULA NO CEARÁ
Mantidas as condições estáveis de temperatura e pressão,
sem tempestades repentinas que façam a dinâmica da política agir, a disputa eleitoral no Ceará terá um componente fortíssimo a influenciar. Uma nova rodada de dados da pesquisa O POVO/Datafolha sugere que o presidente Lula, que não disputará as eleições, deverá ser um fator decisivo no Ceará. Primeiro dado: no Estado, Dilma Rousseff (PT), a candidata de Lula, obteve 41% das intenções de voto na consulta estimulada. José Serra (PSDB) aparece com 28% e Marina Silva (PV) larga com 8%. Na espontânea, Dilma tem 22%, Serra 10% e Marina 2%. Mas vejam o que os eleitores responderam quando perguntados se votariam em um candidato a presidente apoiado por Lula: 50% disseram que sim e 23% afirmaram que “talvez”. Somente 18% disseram que não votariam em um candidato apoiado por Lula. Ou seja, 73% se dizem, no mínimo, dispostos a seguir a orientação do presidente Lula. A influência do presidente na campanha pode ser vista como um fenômeno na política brasileira. Como já foi dito em colunas anteriores, Lula beira a unanimidade nos estados quer compõem a região geográfica do Nordeste. Seu índice de ótimo/bom ultrapassa os 80% e apenas 3% o consideram ruim/péssimo.

 O HISTÓRICO DA INFLUÊNCIA
Evidentemente que não será apenas a ministra Dilma
Rousseff a beber nessa fonte. O Datafolha também mediu a influência do presidente Lula sobre a disputa de senador. O resultado foi parecido. Vejam: 45% disseram que o apoio de Lula o “levaria a escolher” o candidato a senador apontado pelo presidente. 27% declararam que “talvez” e 19% disseram que o apoio do presidente não vai influenciar na decisão pessoal de voto para o Senado. O Datafolha não mediu a influência de Lula no caso da eleição de governador, mas provavelmente os resultados seriam reproduzidos com a mesma ênfase. Na verdade, a influência de Lula já se fez valer nas duas últimas eleições locais. Em 2006, na eleição para governador, quando Lula não tinha ainda uma popularidade tão alta, o apoio do presidente já agregava muitos votos a um candidato. Naquela disputa, Cid Gomes soube usar o apoio do presidente. Em 2008, o sonho de todo prefeito era ganhar um depoimento favorável de Lula. Teve gente que chegou a contratar imitadores da voz presidencial para piratear o apoio. Naquela disputa, quem claramente se beneficiou foi a prefeita Luizianne Lins (PT). Todo o seu material de campanha levava a imagem do presidente. Deu primeiro turno.

 SOB O RISCO DE FAZER ÁGUA

Sabe-se que parte fundamental da estratégia eleitoral do bloco Cid-Pimentel-Eunício se baseia no apoio do presidente Lula. Em recente conversa com jornalistas, os dois candidatos ao Senado disseram que Lula é o cartão de visitas na hora de abordar os eleitores nas ruas. Tanto o bloco quanto Dilma Rousseff ficaram com a maior fatia do palanque eletrônico. Sabe-se que a imagem e a fala de Lula serão usadas como bordão. Mas, toda estratégia tem seus riscos. A força da campanha local depende muito do desempenho nacional da petista. Se a campanha de Dilma começa a fazer água, haverá rachaduras no formato pré-definido. Candidata de primeira viagem, a petista continua como uma incógnita. Não há certeza sobre o seu desempenho. A TV constrói ou desconstrói uma candidatura. Dilma terá que participar de entrevistas e debates, sempre escorregadios. Erros de comportamento e fala podem provocar derrocadas e reviravoltas. Evidentemente que José Serra também corre riscos, mas bem menores em função de sua já larga experiência em campanhas.

A IMPORTÂNCIA DA ÂNCORA

Alguns resultados do Datafolha para presidente chamam a atenção. Dilma vai muito bem entre os eleitores de nível superior (48%), mas seu segundo pior desempenho ocorre entre os eleitores de escolaridade “fundamental” (37%). Esse grupo de baixa escolaridade é o que menos tem informações sobre as eleições e sobre os candidatos. É a faixa que costuma se definir a partir do início do palanque eletrônico. O setor que dá a Serra o melhor desempenho (39%) é o de faixa salarial superior a cinco salários mínimos (com rendimento familiar mensal de mais de R$ 2.500,00). O desafio de Serra é manter sua candidatura em boas condições de competitividade. Se começar a perder votos, as circunstâncias locais vão se impor. Ou seja, seus apoiadores vão cuidar de seus projetos pessoais, desvinculando-se da candidatura presidencial. Isso não tem risco de ocorrer com

(O Povo Online)

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