Apesar de os supermercados terem criado no ano passado 5.000 vagas com carteira assinada na cidade de São Paulo, os salários dos trabalhadores admitidos foram 15% menores do que os pagos aos demitidos. Os contratados receberam, em média, R$ 712,15 e os dispensados, R$ 837,25.

A maior parte das vagas foi aberta em estabelecimentos de micro e pequeno porte, que empregam de 4 a 19 funcionários. O resultado consta em estudo sobre o perfil dos trabalhadores em supermercados divulgado nesta quinta-feira pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

“A rotatividade no setor é muito elevada. Assim como se contrata muito, se demite da mesma forma, com ou sem crise”, diz o estudo, feito para o Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

Em 2008, a diferença entre os salários dos contratados e demitidos chegou a 20%. “Apesar da diminuição da diferença verificada em relação ao ano de 2009, a rotatividade de trabalhadores foi uma ferramenta de rebaixamento de remunerações utilizada pelas empresas”, afirma o levantamento.

SALÁRIO MÉDIO

Os empregados dos supermercados tiveram aumento de 7,3% nos salários, segundo o estudo, quando se compara de uma forma geral as remunerações pagas no ano passado e no ano anterior. Em 2008, o salário médio pago aos trabalhadores foi de R$ 718,79. Em 2009, subiu para R$ 771,32.

A desigualdade na remuneração paga entre homens e salários permanece forte no setor, de acordo com os dados do Dieese. As mulheres que foram contratadas no ano passsado para trabalhar em supermercados da cidade de São Paulo receberam 88,9% dos salários pagos aos homens admitidos no mesmo ano –elas receberam R$ 750,15 e eles, R$ 666,89.

A mão de obra feminina ocupou, em média, 45% dos postos de trabalho nos supermercados da capital paulista, segundo dados de 2008. E, apesar de terem nível de escolaridade maior que os homens, na média, receberam salários inferiores.

Ao analisar emprego e renda no período entre 1999 e 2008, o Dieese concluiu que o nível de emprego formal cresceu 64% nos supermercados da cidade de São Paulo, enquanto a remuneração média recuou 5,5% no mesmo período.

Com os investimentos que vêm sendo feitos pelo setor, com a valorização do salário mínimo e aumento da renda e crédito, técnicos do Dieese e sindicalistas que representam os funcionários desses estabelecimentos, consideram que as perspectivas para os trabalhadores do setor são positivas. A expectativa é ampliar os ganhos reais nos salários nas negociações coletivas e aumentar direitos da categoria.

(Folha Online)