Trechos do depoimento do desempregado Sérgio Rosa Sales, de 22 anos, o Camelo, uma das peças-chave para que a polícia pedisse a prisão do goleiro do Flamengo Bruno Fernandes de Souza, de 25, foram decisivos para convencer a polícia de que o jogador teve participação ativa no assassinato da ex-namorada Eliza Samudio, de 24, ao levá-la até seu algoz. Primo do atleta, a quem define como sendo seu “ídolo”, Sérgio revelou detalhes sobre a presença de Eliza no sítio do goleiro e sobre o momento em que foi morta, por asfixia.


Ao contrário do adolescente de 17 anos, também primo de Bruno, que na terça-feira confessou ter participado do sequestro da jovem e do filho dela, de 4 meses, que seria fruto do relacionamento com o jogador, o desempregado não poupou o parente em depoimento, de 15 folhas. “Eu falei o seguinte para o Bruno: ‘Cara, não era melhor você ter resolvido isso na Justiça?’ Ai o Bruno disse: ‘Já tá feito, cara’; então Bruno pareceu ter ficado comovido com os acontecimentos e até chorou”, disse a testemunha aos policiais.

O menor, em suas declarações, sustenta que Luiz Henrique Romão, o Macarrão, amigo do atleta, foi quem planejou tudo, inclusive convidando-o para sequestrar Eliza e levá-la ao sítio de Bruno. O adolescente sugere que o jogador, ao se deparar com a ex-namorada em sua propriedade, se surpreendeu e pediu explicações a Macarrão e Sérgio sobre o que estava acontecendo. Ele, então, teria dito aos dois que resolvessem o problema. Depois de duas horas no sítio, o atleta teria tomado um táxi em direção ao aeroporto e voltado para o Rio de Janeiro.

Não é o que diz o depoimento de Sérgio Sales. Ele sugere um Bruno indiferente à presença de Eliza e do filho dela no sítio. “Eu cheguei no Bruno e falei que o Macarrão não deixou eu entrar na casa. Aí o Bruno falou: ‘Ele tem os motivos dele’; mas aquele quadro ficou viajando na minha cabeça, aquela moça que eu nunca havia visto antes (Eliza Samudio), quietinha, com o neném no colo.”

Camelo também descreveu o cativeiro da jovem. “A moça de nome Eliza estava sentada quietinha no sofá com o filho no colo, o Macarrão, nos degraus da entrada e o (menor primo do atleta) desbaratinando, vigiando a moça. Ela comportava-se quieta, parecendo que obedecia fielmente às ordens (…). Observei que a cabeça dela tinha uma ‘brecha’, um buraco muito grande, como se tivesse levado uma pancada muito forte.” Já o menor, em suas declarações, diz que era Sérgio o responsável pela guarda da vítima durante o cativeiro.

O assassinato

As narrativas de Sérgio Sales e do adolescente sobre como Eliza Samudio foi morta são bem parecidas. A diferença é que o primeiro afirma que não esteve no local do assassinato e que os detalhes do crime foram contados a ele pelo goleiro e pelos outros acusados. Já o menor relata que, juntamente com Sérgio e Macarrão, levou a jovem para ser estrangulada. Ele sugere que na ocasião Bruno já estava no Rio de Janeiro.

As palavras de Sérgio indicam outra coisa. “Perguntei para os dois: ‘Ô gente, cadê a menina e a criança?’ Aí o Bruno falou assim: ‘Cê quer saber mesmo? Aí (o menor) entrou na frente do Bruno e disse: ‘Ela já era’; aí o Bruno disse assim: ‘Acabou esse tormento’. Eles passaram a me explicar o seguinte: que eles foram com o carro até Vespasiano, chegaram na BR e encontraram com um homem negro, de barba e careca que estava em uma motocicleta; aí eles seguiram com ele até a casa dele, num lote grande que no fundo tinha umas casas de cachorro rottweiler”, relatou.

Sérgio, sempre afirmando que sabe do crime o que o goleiro e o adolescente lhe contaram, descreveu a morte de Eliza de forma semelhante ao depoimento do menor. “Depois de o homem cheirar os dedos de Eliza, ela disse que não queria mais apanhar, aí o homem falou o seguinte: ‘Você não vai mais apanhar, você vai é morrer’; que então relataram para mim que o homem deu uma gravata em Eliza e matou ela (sic) enforcada”, disse aos policiais. Sérgio Sales também confirmou a versão de que partes do corpo da jovem foram jogados para os cães. Ele acrescentou que o filho da jovem também seria assassinado, mas que Bruno, Macarrão e o menor ficaram com pena e pouparam o bebê.

(Portal Uai)

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