No movimentado dia político de ontem, o objetivo do governador Cid Gomes (PSB) e de seus principais aliados pareceu ser responder a cada crítica que vem sendo feitas por seu mais novo – e ferrenho – opositor: o senador Tasso Jereissati (PSDB). Com o compromisso de não citar nenhuma vez o nome do tucano, Cid, ao longo de seus discursos, foi jogando indiretas que tinham Tasso como alvo certo. 

Para reforçar a estratégia, teve ajuda de seu irmão mais velho, o deputado federal Ciro Gomes (PSDB), além do também deputado federal Eunício Oliveira (PMDB), que disputa vaga no Senado.

Logo cedo, durante a convenção do PDT, Cid Gomes se utilizou de uma metáfora para explicar por qual motivo fez questão de manter em torno de si um amplo arco de alianças, o que vem sendo interpretado por Tasso como uma tentativa de impedir o eleitorado de ter opções nas eleições deste ano.

“Porque aqui nesse grupo não tem mangueira. Mangueira é uma árvore que dá uma boa fruta, que é uma manga, mas não deixa crescer nada debaixo dela. Nada se cria embaixo de uma mangueira. Ela solta uma resina que mata tudo debaixo dela”, disse o governador, no momento em que apresentava seus dois candidatos ao Senado: o ex-ministro José Pimentel (PT) e o deputado Eunício Oliveira.

Segundo Cid, eles se juntarão ao senador Inácio Arruda (PCdoB), que tem mais quatro anos de mandato, para ajudar a dar tranquilidade ao possível governo de Dilma Rousseff (PT), caso ela seja eleita presidente.

A metáfora da mangueira já foi usada para se referir ao modo de Tasso fazer política, inclusive pelo presidente do PDT cearense, André Figueiredo.

O governador explicou ainda a diferença de perfil de sua aliança: “A característica maior desse grupo aqui é de dar oportunidade. Estimular novas lideranças e múltipla participação. Manter cada cearense representado”.

Na convenção pluripartidária que homologou a candidatura de Cid à reeleição, mais argumentos para rebater Tasso. Liderando a tropa de choque, Eunício defendeu enfaticamente a área da saúde, principal alvo dos tucanos, e afirmou que será feita comparação de números com o os governos anteriores. E, ao defender a ampla aliança cidista, destacou a necessidade de se compartilhar a administração do Estado. “Não se faz política, como alguns pensam, sem dividir o poder”.

O governador também deu uma cutucada naquela que foi a grande marca das gestões de Tasso no Governo. “O maior desafio não é infraestrutura, é o investimento nas pessoas”, afirmou, destacando que, ainda assim, tem investido, sim, em obras físicas.


A vez do irmão

Mais discreto, Ciro Gomes também não deixou Tasso Jereissati sem respostas. Ressaltando que só não participa da aliança pró-Cid “quem não quiser”, Ciro afirmou que a melhoria na qualidade de vida do povo cearense deve ser “imperativo moral” que deve guiar aqueles que optaram pela política, deixando de lado as vaidades, e quaisquer outros tipos de ambição. 

“O Ceará agora tem um desafio: preparar o nosso povo para que a economia que vai dar um salto não reproduza os outros ciclos de crescimento, em que a economia cresceu e se concentrou na mão de meia dúzia de barões”, disse.

(O Povo Online)

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