As taxas médias do empréstimo pessoal e do cheque especial empregadas pelos bancos subiram novamente em junho. Uma pesquisa realizada pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de São Paulo e divulgada ontem mostra que, na primeira modalidade, o salto foi de 5,21% em maio para 5,28% neste mês. Já na segunda, o índice passou de 8,83% para 8,90%. O levantamento foi feito junto a 10 das principais instituições financeiras do País.

Na prática, isso significa que quem precisar pegar um empréstimo ou então utiliza com frequência o cheque especial terá de pagar mais caro. Aqueles que já optaram pela Cédula de Crédito Bancário (CDC) e estão gradativamente saldando sua dívida também se verão vítimas do aumento. A porcentagem da elevação, na realidade, não é tão significativa, já que não ultrapassa a margem dos 0,08%. Mas o consumidor precisa ficar atento ao índice total, que ultrapassa em muito o que o cliente fatura, por exemplo, quando investe seu dinheiro no banco.

“O banco não te remunera nem em 1%, mas em compensação, te cobra mais de 5% se te emprestar o dinheiro. O impacto deste crescimento, agora em junho, é muito pequeno, mas não é neste 0,07% que o cliente tem de prestar atenção, e sim nos 5%. Isso é o pesado”, destaca o economista Arcílio Ruzzi.

Para ele, mais pernicioso do que o empréstimo pessoal é o cheque especial, uma modalidade fácil para o cliente, pois ele não precisa solicitar nenhuma operação, mas que em compensação cobra no mínimo 8% de juros. Assim, ele recomenda que, em muitas situações, vale mais a pena pedir um empréstimo pessoal para saldar a dívida do cheque especial. “Tem banco que chega a cobrar 10% ou 11% de juros. Se a pessoa não tem como cobrir o cheque especial, é mais vantagem ir para o CDC para poder cobrir. Quando eu falo em zerar o cheque especial, não é só pagar um mês e acabou. É chegar no gerente e pedir para ele tirar o limite, para nunca mais usar”, aconselha, ao dizer que, infelizmente, a cultura do brasileiro é diferente, até porque o consumismo é muito forte.

Ruzzi diz que uma grande maioria no País ainda utiliza o cheque especial e está tão acostumada que desfruta dele como se o dinheiro fosse seu. E que, para reverter esta situação seria necessário reformular toda a questão do planejamento orçamentário e as formas de se pagar pelo que se consome.

“O empréstimo tem que ser visto como algo de extrema urgência e necessidade. Por que vou fazer um empréstimo? Posso evitar? Se puder, eu evito. É isso que temos que ter na cabeça. Se eu preciso comprar alguma coisa e tenho dinheiro, vou procurar o melhor preço e pagar à vista. Se a melhor forma para mim é usar o cartão de crédito, vou ter o dinheiro para pagar no dia do vencimento? Se eu tiver, é um bom negócio, mas se só der para pagar a taxa mínima, isso vai virar uma bola de neve que para sair é complicadíssimo”.

De acordo com o Procon-SP, o mercado reagiu à perspectiva de aperto monetário para controlar a inflação já anunciada na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) no final de abril. No encontro, a taxa Selic foi elevada de 8,75% para 9,50% ao ano. E, na semana passada, a taxa subiu de novo, atingindo 10,25%.

No empréstimo pessoal foi considerado o período de pagamento de 12 meses, já que todos os bancos pesquisados trabalham com este prazo. Já para o cheque especial, foram 30 dias. Os dados se referem às taxas máximas pré-fixadas para clientes não preferenciais, independentemente do canal de contratação.

(www.diariodemogi.inf.br)

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