Lady Gaga, de 24 anos, revelou ter propensão a desenvolver lúpus, durante entrevista no programa Larry King Live, da CNN. Segundo o site da revista People, ela disse que não tem a doença e nem apresenta sintomas, mas precisa se cuidar. A patologia está no histórico da família da cantora, que perdeu uma tia por conta dela. Quer saber mais sobre o lúpus? Então, confira 14 detalhes listados pelo reumatologista Mauricio Levy Neto, membro da Sociedade Brasileira de Reumatologia:

1 – É uma forma de reumatismo em que o sistema de defesa do corpo fica desregulado. O sistema imune passa a reconhecer tecidos próprios como estranhos (perda da autotolerância). Com isso, o paciente pode apresentar lesões cutâneas, renais, neurológicas, osteoarticulares e de outros órgãos;

2 – O lúpus é raro. São menos de 10 casos para cada mil pessoas;

3 – Pode se manifestar de maneiras diferentes. Em alguns, é mais grave e, em outros, é muito leve;

4 – Há uma forma da patologia que só afeta a pele, chamada de lúpus discoide, e uma sistêmica, em que múltiplos órgãos são acometidos. Às vezes, casos de lesão apenas de pele podem evoluir para problemas em vários órgãos. Outro tipo é o neonatal, que atinge recém-nascidos por conta da desregulação do sistema imune da mãe;

5 – A sua causa é desconhecida. Sabe-se que algumas pessoas e famílias têm facilidade de desregular o sistema imune. Provavelmente, agentes infecciosos e determinados medicamentos também possam favorecer o surgimento do problema, assim como exposição ao sol;

6 – Pode aparecer em homens e mulheres de qualquer idade, mas é classicamente uma doença de pessoas jovens do sexo feminino, em idade fértil. Na maior parte das vezes, inicia entre os 20 e 40 anos, quando a proporção de casos é de mais de 10 mulheres para um homem. O hormônio feminino estrogênio facilita o desenvolvimento do lúpus e parece que o hormônio masculino desempenha papel protetor. No entanto, quando homens têm lúpus, costuma ser mais grave;

7 – A doença não tem cura. Em geral, após a menopausa, tende a diminuir espontaneamente, exigindo menos medicação;

8 – Na forma cutânea, os sintomas são lesões de pele características (manchas particularmente nas áreas que tomam sol, como rosto, o “V” do decote e braços). Os indícios do problema sistêmico variam de acordo com o órgão atingido. Dores articulares são muito frequentes. O chamado ¿fenômeno de Raynaud¿, quando os dedos das mãos ficam muito frios e descorados ou arroxeados quando expostos ao frio, também são comuns;

9 – Alterações emocionais intensas podem modular o sistema imune e facilitar o aparecimento ou o agravamento da doença. Quando o lúpus atinge o sistema nervoso central, pode provocar alterações emocionais e até distúrbios comportamentais às vezes graves;

10 – A biópsia da lesão de pele costuma ser muito útil no diagnóstico das formas cutâneas da doença. Alterações laboratoriais e pesquisa de autoanticorpos auxiliam na confirmação das hipóteses clínicas;

11 – O tratamento varia conforme a gravidade e os órgãos afetados. Geralmente, se utiliza uma combinação de corticosterides tópicos ou sistêmicos (via oral ou injetável), anti-inflamatórios, imunossupressores e antimaláricos;

12 – As principais mudanças de hábito que o paciente deve realizar são evitar a exposição solar e os estrogênios (utilizados em anticoncepcionais e na reposição hormonal). Pessoas com lúpus têm muito mais doenças cardiovasculares. Portanto, devem se preocupar em fazer de maneira mais intensa o que todos precisam: afastar a obesidade e alimentos gordurosos, praticar exercícios e não fumar;

13 – Se não tratar o lúpus cutâneo, podem surgir lesões graves de pele. Quando a doença é sistêmica, há risco de perda de função dos órgãos envolvidos e mesmo de morte pela atividade da doença. As infecções em pacientes devem ser prontamente cuidadas, pois se disseminam com maior facilidade;

14 – Estima-se que todas as formas de lúpus atinjam cerca de 1% da população mundial. Isso significa aproximadamente 70 milhões de pessoas no mundo e 2 milhões no Brasil.

 
(Gazeta Web)
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