SÃO PAULO tem demorado mais do que a média do país para se recuperar dos efeitos da crise de 2008. Mais que a média do Nordeste. Mas o desempenho estadual não tem sido grande coisa desde 2002.

O crescimento da indústria no Estado está abaixo do crescimento nordestino e brasileiro desde junho de 2009 (acumulado em 12 meses, até março). No pico do ciclo anterior de crescimento, em julho de 2008, a indústria paulista crescia a 9,2%, ante 3,9% do Nordeste.

Na média das seis regiões metropolitanas em que é feita a medida, a soma dos rendimentos do trabalho cresceu 5,2% em março, também segundo o IBGE. Na região metropolitana de São Paulo, o crescimento da massa salarial foi de 1,3%.

No caso da indústria, o crescimento paulista costuma mesmo ser relativamente maior nos anos de economia aquecida; nos anos fracos, as fábricas paulistas sofrem mais que a média brasileira, a julgar pelos dados a partir de 1992. Provavelmente, a diversificação do parque industrial do Estado, suas ligações com o comércio mundial e sua dependência do nível geral de investimentos devem fazer com que o desempenho paulista seja mais volátil.

Mas outro indicador de força econômica revela que São Paulo ficou relativamente para trás desde 2002. Segundo dados compilados pela consultoria MB Associados, o crescimento da massa de salários em São Paulo foi o menor entre os Estados brasileiros de 2002 a 2008, na média anual: 2,9% ao ano.

O resultado foi semelhante no Rio de Janeiro (3,2%) e no Rio Grande do Sul (3,7%). Com exceção de Roraima (5%), o Norte teve o melhor resultado, com a massa de rendimentos em seus Estados crescendo mais que 8,5%. Na maior parte dos Estados do Nordeste, o total dos rendimentos cresceu entre 6% e 7%.

No caso das ainda pequenas e novas economias do Norte, é mais fácil de entender as altas taxas de crescimento -a base de comparação é baixa. No caso do Nordeste, o bom resultado deve-se em parte importante à política do governo Lula.

“O crescimento naquele momento [2002 a 2008] foi dinamizado por fortes transferências de renda e menos por crescimento orgânico da indústria e dos serviços”, diz o breve estudo da MB Associados.

Trata-se de dados ruins? Decerto não. É uma condição civilizatória que o Nordeste cresça mais que outras regiões. Mas está difícil de encontrar uma explicação convincente para a relativa lerdeza no aumento da massa de renda paulista.

De qualquer modo, as perspectivas para São Paulo e para o Sudeste devem mudar, sem que as regiões mais pobres se desacelerem. O cenário de “baixo crescimento orgânico” começou a mudar, diz a consultoria. “[O Sudeste] tem mais infraestrutura pronta e adequada para receber a carga de investimentos que ocorrerá nos próximos anos. Isso sem contar que o grosso dos investimentos nos jogos [Copa e Olimpíada] e no pré-sal estarão concentrados na região”, segundo a MB.

Ainda assim, o crescimento da massa salarial estimado até 2015 seria mais rápido no Nordeste e no Norte, com São Paulo se recuperando porém com mais velocidade, com taxa média superior a 8,5% ao ano. Resumo da ópera: “(…) criou-se um dinamismo que permite que as diversas regiões consigam aproveitar o crescimento da economia”.

(Folha Online)

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