À proposta oferecida pelos patrões de manhã, houve reação de motoristas e cobradores de ônibus à tarde. Em assembleia, a categoria chegou a uma conclusão: a greve de ônibus em Fortaleza é inevitável, como repetiram representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Ceará (Sintro). E a greve deve ser deflagrada na próxima quinta-feira, 3 de junho, quando ocorrerão outras reuniões da categoria. Haverá uma às 9 horas e outra às 16 horas, na sede do Sintro.

Cerca de 300 motoristas e cobradores se reuniram na tarde de ontem na sede do Sintro para discutir a proposta de greve. Um edital de convocação da categoria deve ser publicado na imprensa na próxima segunda-feira, 31. No documento, o Sindicato chama os trabalhadores para as assembleias de quinta. Se a greve for confirmada na quinta, ela deve começar 72 horas depois. Ou seja, na segunda-feira 7 de junho.

De acordo com o presidente do Sintro, Domingo Neto, os trabalhadores estão preparados “para uma das maiores greves de Fortaleza“. Além do reajuste de 45%, o Sindicato reivindica aumento no valor do vale-refeição e da cesta básica. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado (Sindiônibus) rejeitou as propostas. “Se eles pediram greve, eles vão ter“, citou o presidente, referindo-se aos empresários.

Para Valdir Pereira, assessor do Sintro, as assembleias que foram realizadas nas garagens das empresas de ônibus “mexeram com os empresários“. E acrescentou: “A greve é inevitável. Nós vamos para a greve. Agora, precisamos fazer ela bem direitinho. E o que é fazer ela bem direitinho? É cumprir os trâmites da lei. E aqui não é como a construção civil, por exemplo. Aqui é serviço essencial“. Foi a deixa para os gritos de exaltação.

De crachás na mão, para provar à imprensa que todos eram da categoria, como lembrou um representante do Conlutas, todos votaram a favor do indicativo de greve, que será votado na quinta-feira. Mas quinta é feriado, alguém lembrou. “E tem feriado para motorista e cobrador?“, questionou Eliane Ferreira, advogada do Sintro.

Estado de greve –  Também foi votado que devem continuar, a partir de hoje, as assembleias em frente às garagens de ônibus. Terminou ontem o prazo de validade do Termo de Ajuste de Conduta (TAC), que determinava a suspensão das paralisações-surpresa nos terminais e nas garagens. O acordo foi firmado em audiência no Ministério Público do Trabalho.

Após a assembleia, diretores do Sintro insistiam em dizer que a categoria estava “em estado de greve“, já que existe um indicativo. “É um período preparatório da categoria para fazer a greve“, justificou Valdir Pereira, que também é militante da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas).

Mas a advogada do Sintro, Eliane Ferreira, consertava alertando que “estado de greve“ só pode ser considerado se a categoria votar a favor da greve. Isto é: se a greve for aprovada na próxima quinta, a categoria já entra imediatamente em estado de greve.

E-MAIS

>Nas negociações, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sintro) tem o apoio da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Confecção Feminina e Moda Íntima de Fortaleza.

> De acordo com a advogada do Sintro, Eliana Lúcia Ferreira, os motoristas e cobradores ainda estão dispostos a negociar. Sobre os empresários que se recusaram a negociar na manhã de ontem, ela criticou: “Eles se retiraram, porque é assim que fazem os covardes“.

> A advogada lembrou que qualquer reajuste que seja acordado será retroativo a 1º de maio.

> Segundo um representante da Conlutas, se for decretada a greve e se a Justiça considerar o movimento ilegal, haverá reação. “A imprensa que está aqui pode registrar. Se decretarem ilegal, Fortaleza vai pegar fogo“, afirmou, durante assembleia na tarde de ontem.

> Valdir Pereira, assessor do Sintro e militante da Conlutas, citou que a greve servirá “para mostrar que a categoria deve ser respeitada nesta Cidade“.

NA REUNIÃO

>No encontro no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), o presidente da Comissão de Negociação Intersindical do Sindiônibus, Frederico Lopes, apresentou fotos
com datas recentes de ônibus que teriam sofrido depredações. Ele não apontou culpados.

>O Sintro, sindicato dos motoristas e cobradores, afirmou que os ônibus foram depredados no último jogo do Ceará e Fortaleza e que o Sindiônibus os teria guardado para apresentá-los agora.

>Francisco Pessoa Araújo Neto, superintendente técnico do Sindiônibus, acredita que as assembleias ocorridas após a assinatura do Termo de Ajuste de Condutas (TAC) tenham constrangido os trabalhadores.

>No TAC, assinado na quarta-feira, o Sintro se comprometeu a não interromper fisicamente a saída dos ônibus das garages.

>Neto aponta que, “provavelmente houve constrangimento dos trabalhadores de barrarem o sindicato para ir trabalhar“, aponta Araújo.

O QUE QUEREM OS MOTORISTAS E COBRADORES DE ÔNIBUS

>O salário atual dos motoristas é de R$ 1.104 e dos cobradores, R$ 662,4. Com a proposta do Sintro, de reajuste de 45%, passaria para R$ 1.602 e R$ 961,20. Com a proposta do Sindiônibus (4,5%), ficaria R$ 1.153,68 e R$ 691,79.

>De acordo com o presidente do Sintro, Domingo Gomes Neto, o vale-refeição que a categoria recebe hoje tem o valor de R$ 5. Eles querem que aumente para R$ 8.

>Domingo Neto cita também que a categoria recebe uma cesta básica de R$ 55.
Motoristas e cobradores pedem um aumento para R$ 75.

>A categoria quer também um plano de assistência médica, já que hoje nem motoristas nem cobradores têm plano de saúde.

>Outro ponto que está na pauta de reivindicações de motoristas e cobradores é mudança quanto a jornada de trabalho, que atualmente é de 7 horas e 20 minutos. “A gente não quer redução“, anuncia Domingo Neto.

>Ele explica que esse tempo deveria compreender apenas as horas que motoristas e cobradores trabalham nos ônibus. Mas eles precisam fazer intervalos e acabam passando desse horário.

>A advogada do Sintro, Eliana Lúcia Ferreira, acrescenta que outro problema é quanto ao troco. Ela aponta que os cobradores recebem R$ 20 para dar de troco, o que é muito pouco, segundo ela. Eliana comenta que muitas pessoas ficam
sem troco por causa da pequena quantia que é repassada a eles. “Isso gera um constrangimento para a população“, justifica.

>Eliana enfatiza também que há dificuldades quanto aos micro-ônibus, já que os motoristas precisam dirigir o veículo além de receber a passagem. “Já há motorista que se envolveu em acidente por causa disso“, informa a advogada.

 
(O Povo Online)

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