Com mais de 570 mil clientes ativos e uma carteira de crédito de R$ 510 milhões, o Crediamigo, do Banco do Nordeste (BNB), firmou-se como o maior programa de microcrédito brasileiro e segundo da América Latina. Graças a uma capilaridade de 2,5 mil agentes de crédito, ligados ao Instituto Nordeste Cidadania – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) -, a instituição consegue reduzir o risco da sua operação. No fim de abril, a inadimplência era de 1,22%, abaixo até da média do consignado, garantido pelo desconto em folha de pagamento. Em dezembro de 2008, em plena crise de crédito, os atrasos da carteira do Crediamigo equivaliam a 1,13% do saldo.

Conforme explica o gerente de ambiente do BNB, Marcelo Azevedo Teixeira, tal eficiência é possível pela metodologia de concessão, facilitada pela presença em campo dos agentes de crédito. Eles cumprem o papel de entender as necessidades de cada localidade e incentivam a formação de grupos de microempreendedores. Compostos por três a 30 pessoas, esses grupos não só recebem os recursos conjuntamente, como também dão aval solidário à operação. “Há um atendimento personalizado, os agentes são remunerados por resultado. Enquanto no grupo solidário há uma seleção social importante, as pessoas têm que confiar umas nas outras, há uma cobrança mútua. Quando um não tem o dinheiro para pagar, o outro cobre.”

Com a inadimplência baixa, os juros oscilam de 0,99% a 3% ao mês. O “funding” vem do repasse de 2% dos recursos captados em depósitos à vista por instituições que não operam o microcrédito. O custo equalizado é de 4,5% ao ano, bem abaixo do CDI. “O Crediamigo é uma operação de mercado sustentável, que dá retorno para o banco”, diz.

A obrigatoriedade de destinação de 2% dos depósitos à vista para o microcrédito foi instituída em 2003, mas pelos últimos dados do BC ainda há uma sobra de R$ 1,3 bilhão em recursos, que são recolhidos pela autoridade monetária sem nenhuma remuneração.

O HSBC é um dos novos participantes desse segmento e fechou com o BNB a sua primeira operação de microcrédito em fevereiro. O orçamento prevê destinar R$ 820 milhões a iniciativas de microfinanças, segundo Mayu Ávila, diretora de sustentabilidade corporativa do banco inglês. “Desde 2005, temos operações na Índia, nas Filipinas, no México e na Rússia. No Brasil a ideia é trabalhar no crédito rural.”

No BNB, o Agroamigo replica, há cinco anos, a experiência do Crediamigo no agronegócio. Apoiado pelo Pronaf, conta com a assessoria de 600 técnicos agrícolas e já desembolsou R$ 1,2 bilhão em 930 mil contratos de empréstimos. Para 2010, estão previstos mais R$ 800 milhões, segundo o superintendente da área de agricultura familiar e microfinanças rural, Luís Sérgio Farias Machado.

(Valor Econômico)

Anúncios