`Oi. Recebi uma mensagem desse telefone dizendo que tinha ganhado uma casa“, diz mais uma vítima do chamado “Golpe da Casa Premiada“. O homem do outro lado da linha se passa por representante de um programa televisivo, mas faz parte de uma das três quadrilhas de estelionatários deste tipo identificadas no Ceará. Uma delas faz ligações de dentro do Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS). Até o momento, foram contabilizadas 171 vítimas em todo o País.

Seguindo o “trote do sequestro“ no hall de golpes por celular vindos de presídios, o “Casa Premiada“ se diferencia pela euforia provocada no “ganhador do prêmio“, em lugar do pânico experimentado pelo parente do suposto sequestrado.

Aqui no Estado, foram 54 as pessoas extorquidas, mas o mais vitimado é o Pará, com 73. Em terceiro lugar, está o Rio Grande do Norte, de onde veio a denúncia que deu início à investigação do Ministério Público cearense. As ligações interceptadas foram todas realizadas do Ceará, e as vítimas moram tanto nas regiões metropolitanas quanto em cidade interioranas.

Desde o início da investigação, há seis meses, quatro contas correntes já foram bloqueadas. Os usuários alegam que emprestaram as contas para um “amigo“ e que não possuem envolvimento com o crime.

Quanto aos celulares, seis deles estão sendo investigados. Dentre esses, dois já foram rastreados e levaram ao IPPS. “Agora vamos ouvir as pessoas, juntar o mosaico e fazer a denúncia“, resume o promotor de Aquiraz, Francisco Marinho, que investiga o caso. Ele acredita que haja relação entre as quadrilhas.

As chamadas interceptadas aconteceram nos meses de novembro e dezembro do ano passado, e um contragolpe foi aplicado pela promotoria para descobrir de onde vinham as ligações. Uma mulher fingiu cair na conversa do estelionatário enquanto o número era rastreado.

O promotor Marinho falou à imprensa, na manhã de ontem, como forma de alertar a população, mas pediu o sigilo nos nomes das vítimas e dos suspeitos, porque a apuração ainda está em processo. “Geralmente, a vítima não comenta, porque é um constrangimento, por isso é preciso essa alerta.“, explica.

E-MAIS

> Os estelionatários envolvidos no golpe não gastam um tostão sequer na ação. Até mesmo o crédito do celular é pago pelas vítimas.

> Segundo as investigações, quando a pessoa enganada não possui dinheiro em conta de banco, o estelionatário chega ao ponto de pedir para que ela adquira créditos telefônicos para o número do suposto programa de televisão.

> A maioria das 171 vítimas contatadas pela promotoria de Aquiraz jogou o chip do celular fora e não quer contato com a imprensa – por medo de represália da quadrilha.

> Em uma das gravações de chamadas, a vítima questiona a legitimidade do prêmio, ao que o homem responde: “não é golpe, não. Não é brincadeira, não é pegadinha. Trote é crime“.

(O Povo Online)