JOHANESBURGO – A escolha da África do Sul como sede da Copa do Mundo de 2010 deixou as prostitutas locais empolgadas com a possibilidade de ganhar muito dinheiro durante os 30 dias de competição, graças a presença de milhares de torcedores estrangeiros. Mas a criminalidade e os índices alarmantes de contaminação pelo vírus da Aids no país são adversários preocupantes para as ‘moças de vida fácil’.

Elas sabem que os turistas já estão cientes do perigo de praticar sexo sem proteção num país que já soma 5,7 milhões de casos de HIV positivo. Para as prostitutas – as da África do Sul e as 40 mil de outros países africanos que são esperadas durante a Copa -, a solução para não perder clientes seria a criação de uma ‘zona de prostituição’ onde os interessados pudessem se sentir mais seguros.

– Os turistas não vão querer olhar para as garotas na rua. O governo precisa criar um espaço seguro para a gente, para que os clientes saibam onde nos encontrar – reclama a prostituta Mudiwa, do Zimbábue, alegando que um prostíbulo seria garantia de segurança também para as profissionais do sexo.

– Quando você entra em um carro (na rua), você nunca sabe se verá seu filho novamente – completou.

Ano passado, alguns políticos sul-africanos cogitaram a criação das ‘zonas de prostituição’ durante a Copa, alegando que seguiam o exemplo do que foi feito no Mundial da Alemanha, em 2006, mas a ideia não foi adiante. Pelo contrário, lugares como a Cidade do Cabo, por exemplo, pretendem retirar as prostitutas das ruas, seguindo o modelo de tolerância zero implantado anos atrás em Nova York.

Em Johanesburgo, a coordenadora local para a Copa do Mundo, Sibongile Mazibuko, informou que a cidade vai distribuir preservativos durante o Mundial, mas reconhece que não há nenhum outro plano para lidar com a situação das prostitutas.

– Nós não podemos dar a elas nenhuma proteção, porque não podemos ser parte do crime. Não somos uma República de Banana que cria leis para um evento que dura apenas um mês – afirmou Mazibuko, lembrando que a prostituição é uma atividade ilegal na África do Sul.

– É ótimo que a Copa do Mundo seja aqui, mas nós também gostaríamos de ficar com um pedaço da torta – lamentou Zandile, uma prostituta que trabalha nas ruas de Sandton, um dos bairros mais ricos de Johanesburgo.

– As pessoas nos veem como disseminadoras da Aids, e isso acaba com o nosso negócio – resumiu Mpho, outra prostituta de Sandton.

(Reuters)