O governo do Paquistão impediu hoje o acesso ao YouTube. Depois, o site que agrupa vídeos voltou ao ar, após terem sido retirados registros considerados “blasfemos”, segundo o regulador das telecomunicações do país. Uma proibição ao Facebook, porém, segue vigente.

A Autoridade de Telecomunicações do Paquistão qualificou os vídeos retirados como “blasfêmias bastante ofensivas”. Já o Facebook permanecia bloqueado, após a Alta Corte de Lahore decidir ontem que autoridades deveriam fechar o site até o próximo dia 31. O tribunal julgou uma petição de um grupo de advogados paquistaneses, questionando uma página do Facebook chamada “Dia de todo mundo desenhar Maomé!”

Os responsáveis pela comunidade, com mais de 90 mil seguidores, disseram que a intenção não é desrespeitar os muçulmanos, mas enfrentar os extremistas que ameaçam usar da violência contra os que retratam Maomé. Já foram ameaçadas pessoas envolvidas no jornal dinamarquês “Jyllands-Posten” e no desenho animado dos EUA “South Park”.

As representações de Maomé são consideradas uma ofensa por muitos muçulmanos, incluindo moderados. O Islã proíbe a idolatria e a arte islâmica tradicionalmente é baseada na caligrafia e na arquitetura, não em retratos. Outra comunidade do Facebook, contrária ao “Dia de se desenhar Maomé”, tinha mais de cem mil seguidores no fim do dia de hoje (horário local).

Para muitos não muçulmanos, o fato de se retratar Maomé não é uma questão de religião, mas sim de liberdade de expressão. Para outros, trata-se de uma provocação desnecessária. O incidente mais grave ocorreu em 2005, quando o “Jyllands-Posten” publicou um cartum de Maomé com um turbante no formato de uma bomba, com um pavio aceso.

(Agência Estado)

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