BRASÍLIA – O mercado bancário brasileiro, que vive um período de forte crescimento nas operações de crédito, não corre riscos de solvência ou liquidez devido à sua musculatura de capital e regulação. Mesmo em cenários de grande estresse, até maiores do que o atual, com o agravamento da crise europeia. Essas são as principais conclusões do Relatório de Estabilidade Financeira, preparado pelo Banco Central (BC) a cada seis meses e divulgado há pouco.

Pelo documento, a autoridade monetária verificou que houve uma expansão sustentável da carteira de crédito com qualidade, ou seja, com riscos de inadimplência baixos. O texto traz que, no último semestre, “os principais eventos que determinaram a dinâmica do sistema bancário foram a expansão do crédito e a melhora na qualidade da carteira de crédito em razão, principalmente, da retomada da atividade econômica. A análise da liquidez, por sua vez, demonstra que o sistema bancário detém montante de ativos líquidos suficiente para suportar suas operações, inclusive em situações de estresse, além de dispor de fontes de captação de recursos para sustentar o crescimento da carteira de crédito.”

O BC analisou instituições financeiras que somavam R$ 2,76 trilhões em ativos e carteira de crédito no país de R$1,22 trilhão. Ambos os valores representavam 86% do total do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Em relação ao semestre anterior, houve crescimento de 3% dos ativos e de 8% do estoque de crédito.

Segundo o BC, o aumento da exposição ao risco de crédito dos bancos foi acompanhado por aportes de capital e pela incorporação de lucros, o que manteve o índice de Basileia –que, no Brasil, obriga os bancos a terem pelo menos R$ 11 em capital para cada R$ 100 emprestados– “em nível satisfatório”. Numa simulação de cenário de estresse intenso, com redução nas taxas de juros, o BC chegou à conclusão de que o indicador permaneceria, para o conjunto das instituições, acima de 11%: passaria de 18,6% para 15,0%. “Os resultados indicam que o cenário de estresse macroeconômico aplicado não afeta de forma relevante o sistema bancário brasileiro até junho de 2011”, trouxe o documento.

No relatório, o BC já fez comentários sobre a crise europeia, sobretudo a situação da Grécia, com base nos dados do primeiro trimestre de 2010. A autoridade chama a atenção que, a partir de dezembro passado, o cenário de aversão ao risco nas economias da zona do euro se deteriorou por conta da situação fiscal de parte das economias locais. Esse cenário também levou a uma apreciação do dólar frente ao euro.

(O Globo Online)