por Luiz Carlos Azenha

A profunda crise na Grécia ameaça arrastar outros países europeus pelo mesmo caminho: uma crise social sem precedentes, tão ou mais grave que a enfrentada pelos Estados Unidos. Os 500 bilhões de euros reservados pela União Europeia para combater a crise, com a promessa de outros 250 bilhões do FMI, dão a vocês a medida exata do tamanho do problema. O anúncio da Espanha, de que fará corte de 15 bilhões de euros em despesas para atender as demandas do mercado, é outro sinal. Curiosamente, são governos considerados “progressistas” para os padrões locais os encarregados de oferecer essa pílula amarga aos eleitores. Essa conjuntura terá consequências eleitorais. Aliás, já teve em vários países, mais recentemente na Alemanha.

Para o bem e para o mal, o que antes era considerado “intervencionismo” estatal será consagrado como única saída para enfrentar a crise. O que, em minha opinião, explica o fato de que em eleições vindouras os candidatos vão fugir feito o diabo da pecha de “neoliberais”. Afinal, a profunda crise financeira, primeiro nos Estados Unidos e agora na União Europeia, resultou da aplicação do modelo em que o estado era considerado um empecilho.

Lembrei disso ao ler uma notícia que deve servir de alerta ao pessoal do PSOL e do PSTU: cuidado, do jeito que as coisas vão vocês serão atropelados!

Serra diz que é de esquerda e critica Banco Central

Tucano, porém, afirma que é esquerdista “do ponto de vista convencional”. O candidato ficou irritado com pergunta sobre BC

Adriano Ceolin, iG Brasília | 10/05/2010

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, disse nesta segunda-feira que “do ponto de vista convencional” é de esquerda. Ele também criticou a política de juros do Banco Central e demonstrou irritação ao ser questionado se iria intervir na instituição caso fosse eleito.“Do ponto de análise convencional, sim (sou de esquerda). Defendo um projeto de desenvolvimento nacional”, disse. “[Se for eleito presidente] vou estar comprometido até o fundo da alma com os trabalhadores e os desamparados, é ser aliado de empresas que gerem empregos”, completou.

Nos anos 60, Serra foi um militante de esquerda ligado ao movimento católico AP (Ação Popular). Como presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), defendeu o governo do então presidente João Goulart que acabou derrubado por conta de um golpe militar em 1964.

Serra deu as declarações durante entrevista à rádio CBN. O tucano demonstrou irritação ao ser questionado sobre a possibilidade de intervenção no Banco Central. “O BC não é uma Santa Sé. Tenha paciência. Não acha que o BC nunca erra. Nota-se um grupo acima do bem do mal. Eu conheço economia. Sou responsável”, disse o tucano.

O candidato do PSDB afirmou que o BC poderia ter baixado com mais vigor a taxa de juros durante a crise econômica entre o fim de 2008 e o começo de 2009. “As condições foram boas durante crise para baixar os juros. Simplesmente foi um erro [não ter baixado mais]”, disse. “O Brasil tem a maior taxa de juro mais alta do mundo”.

Lula
Mais uma vez, Serra evitou fazer críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao ser questionado sobre a entrevista em que Lula disse que não vê possibilidade de o PT perder a eleição, o candidato tucano preferiu ressaltar a segunda parte da resposta do presidente.

“Ele disse outra coisa importante que qualquer um dos que ganhar não vai alterar nada”, disse Serra. “O que não é razoável é esperar que o Lula que vá dizer que o Serra vai ganhar. Ele foi praticamente quem construiu a candidatura [de Dilma Rousseff]”, completou.

Previdência
Serra defendeu uma proposta de reforma da previdência, mas não deixou claro qual é sua posição sobre o aumento de 7,7% do aumento de aposentados aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados. Sobre a possibilidade de veto do presidente, Serra voltou a dizer que irá respeitar a decisão do presidente

“Creio que o governo tem elementos para avaliar. O ministro Guido Mantega [da Fazenda] é sério e o presidente é sensível”, disse. O candidato tucano, no entanto, criticou o governo por não ter feito a reforma da previdência. “Não foi feita. É preciso eliminar privilégios”, disse.

(www.viomundo.com.br)