A rejeição ao pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, está levando parte do movimento sindical de São Paulo alinhada com Geraldo Alckmin (PSDB), postulante ao governo paulista, a defender a candidatura de Dilma Rousseff (PT).

Alckmin tem a simpatia de pelo menos 40% dos sindicatos filiados à Força Sindical em São Paulo, segundo cálculo do tucano Antonio Ramalho, vice-presidente da entidade que, no Estado, tem uma base de cerca de 4,5 milhões de trabalhadores.

Os elogios a Alckmin entre dirigentes sindicais ouvidos pela Folha são diretamente proporcionais às críticas a Serra. Mesmo entre aqueles que defendem um apoio puro-sangue Serra-Alckmin, pipocam ressalvas ao pré-candidato tucano ao Palácio do Planalto.

“O entusiasmo é [com] Alckmin. Ele é da escola do [Mario] Covas, do [Franco] Montoro. Ele [Covas] falava “não” direto pra gente, mas falava na cara”, resume Ramalho, que preside o Sindicato da Construção Civil.

Ao mesmo tempo em que defende a ideia de que um apoio a uma dobradinha Dilma-Alckmin seria um “tiro no pé”, Ramalho diz que Serra “não tem conversa com ninguém, só quatro pessoas falam com ele”.

Chapa híbrida

Filiado ao PDT, Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, defende pessoalmente o híbrido Dilma-Alckmin. A posição do sindicato, diz, ainda não está definida oficialmente. A Federação dos Comerciários também tende a essa posição.

Torres conta que os principais líderes sindicais têm o número do celular de Alckmin. Quando não atende, o pré-candidato ao governo estadual pega os recados na caixa-postal e liga de volta.

Na última terça-feira, Alckmin foi a um café da manhã oferecido pela Federação dos Trabalhadores na Indústria Química do Estado de São Paulo. Líderes sindicais de outros quatro setores também compareceram. Ele chegou a vestir a camisa dos químicos.

“Não temos um problema sistêmico com o Serra, mas o diálogo que nós tínhamos com o Alckmin nós não tivemos com o Serra”, diz Sérgio Leite, presidente da Federação dos Químicos, que prevê apoio a Dilma na disputa presidencial.

Ele e outros dirigentes apontam como um dos principais fatores de apoio a Alckmin as reduções de alíquotas do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para diversos setores promovidas durante o seu governo.

No 1º de Maio, Serra ficou longe de São Paulo, onde as centrais sindicais realizaram suas tradicionais festas neste ano com a presença de Dilma Rousseff e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os eventos, tanto da Força quanto da CUT, tiveram patrocínio de R$ 2 milhões de estatais do governo Lula (R$ 1 milhão para cada central).

O tucano optou por um evento evangélico em Santa Catarina que também teve verba de gestões tucanas. As centrais dizem que convidaram Serra. O tucano nega que tenha recebido convite.

(Folha Online)

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