Mesmo com a tramitação já encerrada na Câmara dos Deputados, o projeto de lei que cria a Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab) enfrenta um movimento que tenta levar a instituição de ensino para a Bahia. O projeto prevê a instalação da universidade no município cearense de Redenção (a 63 km de Fortaleza).

A ideia é defendida pelo deputado federal baiano João Almeida (PSDB-BA), que apresentou recurso para que as comissões técnicas da Câmara revisem a matéria – que já tinha cumprido a tramitação na Câmara, ao passar, em caráter terminativo, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O pedido, contudo, não foi acatado.

O argumento do deputado era de que o estado da Bahia possui a maior quantidade de negros no Brasil e, portanto, teria mais aproximação com o perfil da Unilab. Redenção foi escolhido por ter sido o primeiro município do País a libertar os escravos.

Os deputados cearenses criticaram o pedido de Almeida, justificando a maior proximidade do Ceará com o continente africano e o fato de o Estado ter sido o primeiro a abolir a escravidão no Brasil, em 1884, quatro anos antes da abolição no resto do Brasil. “Esse é um empreendimento que qualquer estado se sentiria lisonjeado em receber. Se o Ceará foi escolhido por uma questão histórica, nós não vamos abrir mão”, garantiu Chico Lopes. “Esse comportamento não é bom para o Nordeste, até porque o projeto é do Poder Executivo, e só ele poderá mudar o destino”, lamentou Chico Lopes.

Defensor da implantação da Unilab no Ceará, o deputado Eudes Xavier (PT-CE) avaliou a tentativa de Almeida como “natural”. “A Bahia tem um movimento muito forte de consciência étnica. E quem não quer um equipamento público com investimento de R$ 189 milhões no seu estado?”, questionou Xavier, referindo-se ao recurso que a universidade receberá nos primeiros quatro anos.

O presidente da comissão criada pelo Ministério da Educação (MEC) para a Unilab, Paulo Speller, negou ontem a existência de um impasse em relação à implantação da Unilab. “O que há, na verdade, é uma valorização do projeto da Unilab, tanto que os deputados estão defendendo a implantação do projeto em seus estados”, considerou.

2º campus?
O recurso apresentado por João Almeida para seja feita uma reavaliação do projeto da Unilab foi arquivado. O relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça, o cearense Mauro Benevides (PMDB), já havia recomendado o arquivamento do recurso. Diante das dificuldades em ver concretizada a transferência da Unilab para a Bahia, Almeida já atua numa segunda via: a criação de novo campus, na Bahia, para a Unilab. Segundo a assessoria de imprensa do deputado, Almeida está tentando fazer um acordo com outros deputados para que a proposta de criação de um segundo campus seja apresentada.

O projeto de lei de cria a Unilab ainda precisa ser apreciado no Senado. Caso aprovada, a Unilab deverá realizar o processo seletivo da instituição já para agosto deste ano.

O QUE É A UNILAB
– A proposta da Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira é integrar os países da Comunidade de Língua Portuguesa (CLP): Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

– Os cursos ofertados permitirão que os estudantes desses países possam ter contato com o povo e com a cultura das demais nações integrantes da CLP, além de promover um intercâmbio acadêmico entre os países.

(O Povo Online)

Anúncios