A Folha de São Paulo literalmente desmontou a reportagem publicada ontem pelo Estadão a respeito das ligações entre Romeu Tuma Jr e Paulo Li.

O Estadão apresentara Paulo Li como o chefe da máfia chinesa em São Paulo. A Folha ouviu fontes da PF (às quais o Estadão certamente também teve acesso) que disseram que isso é, no mínimo, um exagero. Paulo Li é um peixe entre pequeno e médio, envolvido com contrabando e maquiagem de celulares.

O Estadão ressaltou a intimidade entre Paulo Li e Tuma Jr. Deu destaque, por exemplo, ao fato de Tuma ter convidado Li para viajarem juntos e até mesmo dormirem no mesmo quarto numa determinada ocasião. Omitiu (vergonhosamente) o fato de que Li é amigo da família Tuma há mais de TRINTA anos; de que deu aulas de kung-fu na sede da PF paulista, quando Romeu Tuma (o pai) era superintendente. Numa palavra, conhece Tuma Jr. desde a adolescência. Além disso, Li é o elo entre a família Tuma (que tem três políticos de carreira) e a comunidade chinesa. É perfeitamente natural, portanto, que tivessem aquela intimidade toda.

A matéria do Estado de São Paulo contém, além disso, uma omissão clamorosa. Em dois dos e-mails fotografados pelo jornal (reproduzidos na forma de ilustração), Li cita nominalmente o deputado federal William Woo, ex-policial civil, vinculado primeiramente ao PSDB e atualmente ao PPS.

Num dos e-mails que Li enviou a Tuma, logo após o trecho grifado pela reportagem, é possível ler o seguinte:

“O deputado Woo, ele falou pra mim que quer ser vice-governador da chapa do PSDB, e futuro secretário da segurança pública de São Paulo, parabéns para ele rsrs… Ele cancelou uma viagem para a Koréia e ele quer marcar uma audiência com você [Tuma]”

No e-mail seguinte, mais uma menção ao deputado William Woo.

Isso tudo, o leitor fica sabendo apenas se for vasculhar a foto dos e-mails. Na reportagem, nem uma palavra. O nome de Woo nem sequer é mencionado. Ontem, depois de ler a reportagem do Estadão, achei que deveríamos discutir a reportagem, e tematizar o silêncio do jornal a respeito do ex-tucano e atual popular-socialista William Woo. Hoje, lendo a reportagem da Folha, percebo que o problema era muito mais grave. O Estadão distorceu completamente os fatos (chamando Paulo Li, por exemplo, de “chefe” da máfia chinesa em São Paulo) e omitiu circunstâncias (como a amizade de 30 anos entre Paulo Li e a família Tuma) com a única e exclusiva finalidade de pôr o secretário nacional de Justiça do governo Lula em maus lençóis.

A matéria do Estadão é um enorme embuste, cuja finalidade única é confundir o leitor, levando-o a tirar conclusões completamente descabidas. Foi feita por pessoas imbuídas de intenções desonestas e calculada para produzir efeitos políticos determinados.

(Blog do Luis Nassif)

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