Paquistanês Faisal Shahzad

Nova York – O paquistanês naturalizado americano Faisal Shahzad, 30 anos, foi preso por ter dirigido o carro-bomba deixado na Times Square, em Nova York, no último sábado, num atentado frustrado. Ele foi detido às 23h45 de segunda-feira (0h45 de ontem no horário de Brasília), no aeroporto internacional John F. Kennedy, quando estava dentro de um avião da companhia aérea Emirates que decolaria rumo a Dubai.

O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, afirmou que Shahzad foi interrogado, admitiu envolvimento no caso e repassou às autoridades informações úteis na investigação do caso. Ele será indiciado por cinco crimes, inclusive terrorismo e tentativa de uso de armas de destruição em massa. “Continuamos seguindo uma série de pistas, mas está claro que a intenção por trás deste ato terrorista era matar americanos”, disse Holder.

Shahzad admitiu ter recebido treinamento em fabricação de bombas no Waziristão, região do Paquistão. Ele havia voltado do país em fevereiro, depois de ter passado cinco meses visitando seus pais, segundo documentos judiciais. Há suspeitas de que ele teria tido contato com a Al Qaeda ou a milícia Taleban no Paquistão.

Um número de celular pré-pago “descartável” foi o que levou os investigadores do FBI (Polícia Federal americana) ao seu paradeiro. O número de telefone foi obtido e o rastreamento e checagem com várias bases de dados levou à localização do suspeito. As informações foram levantadas com a ex-proprietária do carro, que relatou ter vendido o Nissan Pathfinder a um homem de origem “latina ou do oriente médio”, que pagou em dinheiro e não lhe mostrou nenhuma identificação.

A venda foi realizada pela Internet, através do site de classificados Craigslist, na cidade de Bridgeport, Connecticut, última cidade onde Shahzad morou antes de sua prisão.

De acordo com a Polícia, se a bomba do carro tivesse explodido teria criado uma “significativa bola de fogo”, capaz de matar várias pessoas. Não está claro os motivos pelos quais a bomba não explodiu.

Autoridades paquistanesas detiveram, ontem, na capital Karachi, dois suspeitos de ligação com Shahzad. As prisões foram feitas com base em chamadas telefônicas realizadas pelo acusado em Nova York. Alguns familiares do paquistanês também foram presos.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, criticou, ontem, o fato de que Shahzad tenha conseguido entrar em um avião com destino a Dubai, antes de ser preso.

“Não posso imaginar como isso aconteceu. Obviamente o homem estava no avião e não devia estar lá”, deplorou Bloomberg, em coletiva de imprensa.

Já o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que o país não vai ficar intimidado com o ataque a carro-bomba frustrado. O presidente afirmou ainda que as investigações vão determinar se Shahzad, tem ligações com grupos extremistas estrangeiros. “A justiça será feita. Nós não vamos nos deixar levar pelo medo”, afirmou Obama.

O grupo islâmico radical Taleban assumiu a autoria da tentativa de ataque. Em um vídeo divulgado na internet, o grupo afirma que o atentado foi realizado em represália à morte recente de dois líderes da rede terrorista Al Qaeda no Iraque e aos ataques de aviões não-tripulados no Paquistão.

No entanto, os americanos afirmam que “não há evidência alguma” que possa sustentar a autoria dos talebans paquistaneses ou de outros terroristas estrangeiros. “Eu sei que esse grupo no passado já reivindicou responsabilidade por incidentes aos quais eles não estavam ligados”, afirmou Holder, acrescentando que é cedo para dizer que organização foi responsável pela tentativa de ataque.

(Diário do Nordeste)