Os aprovados no concurso público da Caixa realizado em 2008 ainda sonham com a possibilidade de uma convocação. O ideal de um emprego estável, em uma instituição pública de credibilidade, sustentado no funcionalismo público, no entanto, está ameaçado.

De acordo com um grupo de aprovados que procurou a reportagem do Portal Infonet, o banco finalizou o período de inscrições de mais uma seleção para cadastro de reserva em 8 de abril, mesmo quando o prazo de validade do processo anterior expira apenas em 27 de julho.

Até agora, de 1404 aprovados apenas 83 foram chamados. O número está abaixo da média de concursos anteriores, pois, de acordo com Charles Hardman, um dos aprovados (ele passou em 102º lugar) e representante do grupo de quinze pessoas que move uma ação pública contra a instituição financeira, no ano de 2000 a Caixa chamou 130 pessoas; em 2004, foram empossados 228 novos servidores. “Nós sabemos que há demanda, até porque há um grande número de terceirizados exercendo a função para a qual se abriu concurso, o que é proibido por lei”, explica.

Sonho de emprego estável é principal objetivo de quem participa de seleções

A apreensão dos aprovados aumentou após o anúncio do banco, em outubro do ano passado, de que haveria a contratação de cinco mil pessoas em todo o país. Uma demanda que resultaria da abertura de novas agências.

No entanto, em março deste ano a instituição voltou atrás e pouco se sabe, agora, sobre essa possibilidade.  “Quando essa notícia foi divulgada, nós fizemos um levantamento e descobrimos que há demanda em Sergipe. Nós estamos pressionando de forma política”, acrescenta Charles.

A cada duas semanas o grupo se reúne e, a cada trinta dias, o encontro é com o superintendente da Caixa em Sergipe, Luciano Pimentel, a fim de conseguir respostas sobre a situação. A última reunião deveria ocorrer na última terça-feira, 29, na sede do Sindicato dos Bancários, que apóia o grupo. Entretanto, segundo Hardman, a reunião foi cancelada sob a alegação de que não havia nenhuma novidade a ser discutida. “Nosso único interesse é ingressar na Caixa”, confirma.

Fernanda se diz desiludida

Credibilidade

Fernanda Carvalho, aprovada em 176º, reclama também de como é difícil conseguir informações sobre o andamento da lista de convocados. Ela prestou concurso para o banco pela segunda vez e se vê desiludida. Segundo ela, antes só existia uma lista, com o título de ‘Admissional’. Agora são duas: ‘Pré-admissional’ e ‘Admissional’.

Por outro lado, foi apurado que na verdade as listas representam o andamento do processo de contratação: na primeira constam os nomes dos convocados em uma primeira fase, quando se realizam os exames necessários. Ao ser considerado apto, o aprovado recebe uma segunda convocação e seu nome vai para a segunda lista. A partir disso a pessoa passa pela fase de ‘Integração’, quando recebe um treinamento de duas semanas em Salvador e, adiante, há a posse.

Charles Hardman representa grupo que luta por convocação do banco

Fernanda relata que já entrou em contato com diversos setores, inúmeras vezes, e não consegue resposta sobre o andamento das convocações. “A informação que recebi é de que os nomes não são divulgados nem no Diário Oficial, o que é obrigatório. Quem me garante que alguém com a classificação posterior à minha não foi chamado? Tudo é muito obscuro”, protesta.

Assim como muitos, Fernanda investiu pesado nos estudos vislumbrando a possibilidade de ter um emprego estável, com salário mediano e opções de crescimento profissional. Na época em que participou da seleção, ela pagou R$ 300 de mensalidade em um cursinho preparatório. “Fora o que perdemos com o tempo dedicado. Estudei muito, mas parece que o esforço não valeu nada”, lembra. Hoje ela diz não ver muita motivação em participar de novas provas. “Se a Caixa, que é uma instituição de credibilidade nacional, faz isso, o que se pode esperar de outras?”, ressalta.

Terceirizados

O Sindicato dos Bancários de Sergipe protocolou em março e abril deste ano denúncia contra a Caixa nos Ministérios Públicos do Trabalho (MPT) e Federal (MPF). O órgão pede que seja investigada a atuação de 50 terceirizados em funções que seriam de competência de técnicos bancários, cuja convocação é feita por concurso público. No documento há uma lista com o nome e agência de trabalho dessas pessoas, contratadas na condição de telefonistas ou recepcionistas e que recebem salários bem abaixo dos servidores do banco.

“Já existe um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] orientando a retirada desses profissionais para que essas vagas sejam ocupadas por quem é aprovado em concurso. A caixa burla a lei para ter mão-de-obra mais barata. Há pessoas que estão há cinco anos nessa condição”, acusa Charles Hardman, representante do grupo de aprovados. Esse procedimento adotado pela Caixa tem como reflexo o mau atendimento e, principalmente, o descumprimento da Lei Municipal dos 15 Minutos, pela qual a instituição já responde a processos na Justiça Federal.

Outro lado

O superintendente da Caixa não pôde receber o Portal Infonet para rebater as críticas. O assessor Weider Moreira afirmou que a instituição cumpre o TAC estabelecido com o MPT, tanto que alguns terceirizados já foram demitidos para dar lugar àqueles já aprovados em concurso. Não há nenhuma informação sobre novas convocações.

Moreira disse, ainda, que a Assessoria Jurídica do banco não foi comunicada oficialmente sobre a denúncia protocolada no MPT e no MPF e por isso, naturalmente, não há como a caixa se pronunciar.

A reportagem do Portal Infonet esperou por quatro dias uma resposta oficial da CEF.

Por Diógenes de Souza e Raquel Almeida

(http://www.infonet.com.br/)

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