Roberto dos Santos - Foto: J.F.Pimenta / A Cidade

O Banco do Brasil foi condenado a pagar R$ 7 mil de indenização por danos morais a um representante comercial que foi barrado pela porta giratória da agência da avenida Saudade, nos Campos Elíseos, em Ribeirão Preto.

A sentença do Tribunal de Justiça foi dada no dia 22 de abril e publicada no “Diário Oficial” do Estado nesta quinta-feira (29). O TJ negou a apelação da instituição financeira, que ainda pode recorrer da decisão em instâncias superiores.

“Fiquei feliz com o resultado porque fui muito humilhado. Meu joelho não dobra e eu uso uma meia e uma bengala. Eu pedi para eles me passarem pelo detector de metal e eles queriam que eu deixasse a bengala, mas eu caio se não me apoiar nela”, afirmou o representante comercial Roberto Aparecido dos Santos, de 50 anos.

Ele conta que no ano passado chegou antes das 10h ao banco, para que fosse atendido com rapidez na agência. Ao passar pela porta giratória, o equipamento travou e os seguranças pediram para que ele esperasse todos entrarem para depois tentar o acesso ao local novamente.

“Todos entraram e eu, não. Chamaram uma pessoa que se identificou como gerente e que mandava que eu deixasse a bengala. Fui ficando cada vez mais constrangido e, por isso, entrei com a ação. Não foi pelo dinheiro, mas pela humilhação.”

Segundo a denúncia, testemunhas que presenciaram a cena revelaram que o banco dispõe de entrada lateral para portadores de necessidades especiais, mas que não foi permitido que Santos usasse o acesso porque o detector de metais da porta especial estava inoperante.

Sentença – O Banco do Brasil afirmou na defesa que a porta detectora de metal faz parte da segurança da agência. Porém, os desembargadores não aceitaram a justificativa.

Para eles, é necessário garantir a segurança dos bancos e dos clientes, mas não é correto o constrangimento imposto a pessoas honestas “ao terem o seu acesso ao interior do estabelecimento impedido ou dificultado”.

“A obstinada e injustificável recusa de permitir o acesso do cliente ao interior da agência bancária, exigindo que portador de necessidade especial se despeje da bengala, provoca mais que mero dissabor. Causa profunda e justa revolta, inconformismo com o ato manifestamente abusivo da gerência e segurança da instituição”, diz a sentença.

A assessoria de imprensa do Banco do Brasil não respondeu aos questionamentos da reportagem.

(Jornal A Cidade)

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