RIO – Tomar um multivitamínico diariamente ainda é um hábito que muitos médicos questionam. Como as pesquisas não oferecem respostas satisfatórias e esclarecedoras, os especialistas em saúde preferem dizer que é sempre melhor suprir as necessidades diárias de vitaminas pela comida, não com um comprimido. 

A eficácia das cápsulas costuma gerar dúvidas, principalmente quando o assunto é a prevenção de doenças. Em um estudo feito com mulheres em Porto Rico e apresentado neste fim de semana pela American Association for Cancer Research mostra que os multivitamínicos e os comprimidos com cálcio podem ajudar a prevenir o câncer de mama. Só que um estudo sueco, publicado no “American Journal of Clinical Nutrition” mostrou que os comprimidos de vitamina, se tomados sem orientação médica, podem ter o efeito contrário e aumentar o risco de tumores nos seios.

No estudo porto-riquenho, que ainda não foi publicado em nenhuma revista especializada, foi avaliada a capacidade de regeneração do DNA. Um DNA com uma baixa capacidade de regeneração está mais sujeito ao câncer, afirma o coordenador da pesquisa Jaime Matta. Foram avaliadas 268 pacientes com câncer de mama e 457 mulheres saudáveis. Matta afirma que as mulheres que tomavam multivitamínicos tinham um risco 30% menor de desenvolver a doença. O risco diminuia em 40% se elas também tomassem um suplemento de cálcio. Segundo ele, o impacto maior é o teor de cálcio, que ajudaria na regeneração do DNA. As vitaminas A, C e E não teriam nenhum efeito protetor contra o câncer. Já o estudo sueco, que avaliou a saúde de 35 mil mulheres, indicou que aquelas que tomavam um multivitamínico tinham um risco 19% maior de desenvolver o câncer de mama.

Um terceiro estudo feito com 160 mil mulheres nos Estados Unidos não encontrou ligação entre a ingestão de suplementos vitamínicos e um risco maior ou menor de ter câncer. Para epidemiologistas do Fox Chase Cancer Center, na Pensilvânia, não adianta tomar multivitamínicos com o intuito de prevenir o câncer de mama. Oncologistas concordam, e afirmam que a melhor maneira de suprir carências vitamínicas é pela alimentação. O médico Banu Arun, do M.D. Anderson Cancer Center, afirma que algumas pessoas realmente podem se beneficiar de um multivitamínico, mas as cápsulas não substituem uma alimentação saudável. E lembrou que pessoas com deficiências genéticas ou doenças crônicas se beneficiam das vitaminas e não podem deixar de tomá-las.

O resultado é mais promissor quando o assunto são as vitaminas e a prevenção de doenças cardíacas. Um estudo japonês, feito com 23 mil homens e 35 mil mulheres com idades entre 40 e 79 anos, publicado no “Journal of the American Heart Association”, mostrou que a ingestão de comprimidos com ácido fólico e vitamina B6 ajuda a diminuir o risco de infartos.

Para a médica Linda Van Horn, da Universidade de Northwestern, estudos que avaliam os efeitos da alimentação ou das vitaminas na saúde de um grupo populacional devem ser analisados com restrições. A comparação dos efeitos do ácido fólico nos japoneses e americanos, por exemplo, poderia ser falha, já que a dieta de cada um é diferente, assim como os níveis de obesidade nos países. Para ela, comer bem sempre vale a pena, mas não deve ser feito com o objetivo de evitar uma doença específica e sim de preservar a saúde como um todo.

(O Globo Online)

Anúncios