Os jornalões não deixam a garotada em paz. O maior sonho da imprensa bicuda era que os estudantes dançassem conforme a música que ela, a imprensa, toca. Mas eles não o fazem. Em editorial deste domingo, o Estadão faz outro ataque violentíssimo à União Nacional dos Estudantes (UNE). Achei que valia a pena, neste caso, fazer aquele esquema dos comentários em vermelho.

Editorial Estadão: O valor da UNE

Depois de ter sido aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o projeto que autoriza a União a doar até R$ 30 milhões para a construção da nova sede da União Nacional dos Estudantes (UNE) agora só depende da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para ser convertido em lei. O movimento estudantil está pedindo que o texto seja posto em votação em maio ou, no máximo, em junho, uma vez que a legislação proíbe esse tipo de repasse nos cinco meses que antecedem as eleições.

A UNE tem fortes ligações com o governo do PT e sente-se à vontade para pedir urgência. Desde a ascensão de Lula ao poder, a UNE tornou-se uma entidade chapa-branca, que apoia todas as iniciativas administrativas e políticas do Palácio do Planalto.

[Mentira. A UNE sempre divergiu da política econômica do Banco Central, tendo organizado inclusive inúmeras manifestações. De resto, o governo Lula dialoga com os estudantes, diferentemente de FHC, que nunca sequer recebeu nenhuma liderança estudantil. Lula conversa com eles e acatou muitas de suas sugestões. É claro que a UNE apoiará iniciativas que ela mesma sugeriu. Essa é uma das fórmulas da popularidade de Lula, e a mídia oposicionista, burra, ainda não aprendeu, acostumada que está com as decisões autoritárias, sem diálogo com os movimentos sociais, que caracterizam as gestões tucanas. ]

Em troca, indicou antigos dirigentes estudantis para cargos de segundo escalão, principalmente no Ministério do Esporte, e passou a receber recursos para divulgar programas dos Ministérios da Educação, da Saúde, da Cultura e da Igualdade Racial, promover “caravanas da cidadania” em universidades federais, realizar jogos estudantis e organizar ciclos de debates.

[E daí? Não há nada de antiético nisso. Dirigentes estudantis não são plutocratas como os tucanos: empreiteiros, financistas milionários, donos de canais de tv. São pessoas com talento para política e, portanto, com plena capacidade de exercer funções políticas dentro do governo. Precisam trabalhar para ganhar a vida. O Estadão não vê problema na prefeitura de São Paulo pagar pequenas fortunas a aspones inúteis como Roberto Freire et caterva, mas implica com meia dúzia de empregos mal pagos que alguns ex-dirigentes estudantis conseguem cavar no governo.]

Os repasses de recursos públicos quase quadruplicaram nos dois mandatos do presidente Lula. Em 2004, a UNE recebeu R$ 599 mil. No ano passado, as transferências chegaram a R$ 2,95 milhões. Entre 2004 e 2009 a UNE recebeu quase R$ 10 milhões da administração direta e de empresas estatais, como a Petrobrás, a Eletrobrás, a Caixa Econômica e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

[A UNE já cansou de informar que esses repassem resultam, na maior parte, de emendas de parlamentares, inclusive de parlamentares do PSDB e DEM. De qualquer forma, os repasses aumentaram porque a base de comparação é fraca. FHC deixou a UNE à míngua, sem recursos, sem participação, marginalizada. É muito engraçado que o Estadão, que recebe milhões de verbas oficiais de governos de todos os níveis, critique a maior entidade estudantil da América Latina por receber 2,95 milhões. O Estadão recebe muito mais que isso. A UNE é uma entidade respeitada por sua história, e luta para obter verbas para realizar suas políticas. Ridículo imaginar que é possível dinamizar a UNE sem dinheiro. O Estadão, ao atacar violentamente a UNE, prejudica sua imagem junto à sociedade civil, e dificulta que o movimento consiga arrecadar verbas junto à iniciativa privada, o que, de qualquer forma, sempre será polêmico, visto que a iniciativa privada, quando der dinheiro à UNE, irá querer cooptá-la. Já as verbas públicas operam com lógica republicana. A UNE, assim como o Estadão, conseguiria dinheiro do Estado mesmo fazendo oposição, desde que o Estado não seja governado por bicudinhos vingativos, reacionários e mesquinhos.]

E, há dois anos, o presidente Lula prometeu financiar a reconstrução da sede da entidade no Rio de Janeiro, que foi metralhada, depredada e incendiada no primeiro dia do golpe militar de 64. Os escombros ficaram sob responsabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro e, quando líderes estudantis começaram a se mobilizar para retomá-lo, o que ainda restava foi demolido em 1980, no governo João Figueiredo.

Como a UNE não é uma entidade pública, o governo não poderia transferir dinheiro dos contribuintes para custear as obras. Para contornar as proibições legais, Lula recorreu ao expediente da “indenização”. Primeiro, reconheceu a responsabilidade da União na destruição do prédio da entidade, que ficava na Praia do Flamengo.

E, sob a alegação de que quem é omisso, negligente ou conivente tem de ressarcir os prejuízos causados, assinou o projeto que autoriza a União a transferir para a UNE uma “reparação” no montante equivalente a seis vezes o valor do terreno, pelo valor de mercado. A pedido do governo, a área foi avaliada há cerca de dois anos pela Caixa Econômica Federal, em R$ 5 milhões.

Para se autossustentar, caso venha a perder no próximo governo as boquinhas que conquistou nos dois mandatos do presidente Lula, a UNE pretende erguer, além de um centro cultural, uma biblioteca, um auditório e um museu, um restaurante, dois teatros e um prédio de 13 andares – com espaços com entradas independentes que poderão ser alugados para empresas privadas, empresas públicas e sociedades de economia mista.

[Depois de três parágrafos descritivos, o Estadão inicia o quarto com uma baixaria. Boquinha? Quem tem boquinha é o Roberto Freire, que não faz nada e ganha salário da prefeitura de São Paulo. Se tem algum dirigente estudantil trabalhando no governo, o Estadão poderia ter a hombridade de dizer quem é, quantos são, o que fazem, quanto ganham. Aí poderíamos compará-los com aquele traste do PPS.]

O repasse a título de “reparação”, os convênios com vários órgãos da administração federal e a concessão de benesses, como o monopólio na expedição de carteiras estudantis, mostram como o governo Lula cooptou movimentos sociais, patrocinou ONGs vinculadas ao PT e financiou entidades pseudofilantrópicas mantidas por centrais sindicais. Em troca de dinheiro público, essas entidades perdem sua representatividade.

[Aí já virou um saladão mucho crazy. O Estadão estava falando da UNE e agora parte para ONGs vinculadas ao PT e entidades… Ora, mantenha o foco, senhor editorialista! Acabo de ler que o governo de SP acertou o pagamento de 456 milhões de reais a empreiteiras, a título de atrasos de anos anteriores. Lindo, não! Eles não tem nenhum pudor em fazer milhares de assinaturas da Folha e Estadão, mas a UNE, a subversiva, deve morrer de fome. ]

É por isso que a UNE não exerce hoje o importante papel político que exerceu no passado, quando formou atuantes líderes que atualmente estão no proscênio da vida pública.

[São uns cínicos. O Estadão sempre combateu a UNE. Não apenas o Estadão, todos os jornais atacavam a UNE na década de 60, usando os mesmos argumentos de hoje. Os mesmos. Chamavam a UNE de chapa-branca porque apoiava João Goulart e, como a mídia fazia oposição ferrenha ao governo, diziam que a UNE havia perdido seu importante papel político. A UNE perdeu importância sim, mas sobretudo por causa da despolitização do jovem, processo para o qual a ditadura militar, apoiada pelo Estadão, muito contribuiu. ]

Dirigida nas duas últimas décadas por estudantes profissionais vinculados ao PT e ao PC do B e moralmente desfigurada por negociar apoio político ao governo em troca de regalias e privilégios, a União Nacional dos Estudantes carece de autoridade e de credibilidade. Seus “posicionamentos” não valem mais do que um bilhete usado de metrô.

[Mãe, traz mais um misto-quente! O editorialista do Estadão parece um garoto mimado de 60 anos que ainda vive com a mãe. Os posicionamentos da UNE não valem nada? Ué, senão valem nada, porque escrever um editorial sobre ela? Por acaso se chuta cachorro morto? Nada disso, mané. Esse editorial é prova de que a UNE está viva. Tem peso político. Continua incomodando os mesmos engomadinhos de gravata borboleta que há cinquenta anos escrevem a mesma coisa. Mãe, outro toddynho!]

(http://oleododiabo.blogspot.com)

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