Hugo Chávez, na capa da Revista da TV de o Globo, tratamento gráfico e editoral descaradamente deformado

Por Brizola Neto, do Blog Tijolaço

Eu até ia falar na semana passada, quando o jornal dos Marinho publicou uma matéria sobre as mulheres que eram “perseguidas” pelo Governo Chávez, que O Globo, em relação ao presidente venezuelano, estava deixando de lado o be-a-bá do jornalismo, que é ouvir os dois lados. Afinal, ao descrever o pretenso calvário de uma juíza presa sob a acusação de ter recebido dinheiro para liberar, irregularmente, um banqueiro que estava preso por violar leis econômicas, não mencionou que a juíza havia sido detida não por ordem do presidente, mas de um outro juiz, atendendo a um pedido do Ministério Público.  Se sequer mencionou, muito menos, é claro, ouviu as razões que levaram à prisão. Seria o mínimo.

Mas deixei pra lá. Se eu for mostrar porque cada matéria em O Globo é tendenciosa, gastou 25 horas em cada dia.

Hoje, porém, o jornal se superou. A sua “Revista da TV”, normalmente dedicada a amenidades foi utilizada para uma impressionante campanha anti-Chávez. Não pelos erros políticos ou administrativos que cometa, mas porque é um presidente que usa a televisão para dirigir-se diretamente à população, sem a intermediação das empresas de comunicação.

Vou selecionar algumas frases:

“Na TV, ele discursa, canta, conta muitas histórias e conversa com o povo. (…) Estamos falando de uma celebridade? De um ídolo pop? Quase isso. Trata-se de Hugo Chávez, que, em seu tempo livre, também responde como presidente de uma nação sul-americana.”

“Chávez é protagonista. Aonde ele vai, uma equipe da Venezolana de Televisión (VTV) vai atrás.”

O cidadão é presidente da República. Queriam que não fosse? Calculam que o presidente passou 1200 horas no ar da seguinte forma: pergam o tempo em que ele apareceu, multiplicam por cada emissora e … pronto, cada hora vira dez ou doze horas… Ridículo.

E a coisa continua:

“São horas de discursos, conversas, parcialidade e oficialismo em frente às câmeras.”

Se trocarmos “oficialismo” por “oposicionismo” será que vamos lembrar de alguma emissora de televisão brasileira?

Mas o pior ainda está por vir. A matéria desinforma. A RCTV, cuja concessão esgotou-se é tratada assim:

“Em 2007, não teve sua licença renovada para transmitir na TV aberta. Passou então para a TV paga, quando foi criada a RCTV Internacional, mas, em janeiro deste ano, sua concessão foi caçada (está escrito assim mesmo no site e na revista impressa) novamente. Os espectadores não puderam assistir ao último capítulo da novela mais popular da época, “Libres como el viento”, protagonizada pelo galã e ex-Menudo Jonathan Montenegro. Atores, diretores, jornalistas e produtores da RCTV Internacional vêm sendo demitidos e, de duas semanas para cá, a maioria já foi desligada da empresa”.

Nem uma palavra para o fato de: 1) não haver nenhuma obrigação em ampliar a concessão, que tinha prazo determina; 2) ter sido tirada do ar por recusar-se a transmitir pronunciamento em cadeia do presidente, segundo a lei e 3) ter fraudado sua classificação como empresa estrangeira ao registrar-se.

E muito menos ainda sobre ter sido restabelecido o sinal assim que a empresa se regularizoue sobre o fato de ela estar transmitindo normalmente toda sua programação, inclusive pela internet , para que o leitor fique com a impressão de que ela está impedida de ir ao ar e o público, coitado, até hoje sem saber o desfecho da novela.

Enfim, a matéria é um lixo. uma vergonha de sabujismo para quem a escreveu, que não teve a decência de ouvir qualquer fonte do governo ou das emissoras públicas.  Propaganda da pior espécie, como aliás a revista deixa claro quando seleciona e distorce a foto de um chefe de Estado da maneira que você pode ver na ilustração e o trata como o Chaves do humorístico famoso. Uma coisa pela qual o Brasil podia estar enfrentando, neste momento, até problemas diplomáticos, com um parceiro comercial e um país  com quem temos históricas relações de amizade e cooperação.

A única noção de respeito que a Globo tem é pelo dinheiro.