Paulo Henrique Amorim já havia anunciado que Pernambuco é a nova locomotiva do Brasil, conforme você pode conferir aqui.

O Diário de Pernambuco publicou neste último domingo uma matéria sobre os impactos das duas maiores obras federais realizadas no Nordeste para a economia, principalmente a sertaneja. Você pode conferir a matéria completa aqui.

A metáfora de São Paulo como uma locomotiva vem da Primeira República e foi consagrada na academia com a publicação de uma série de estudos coordenados por três brasilianistas no final da década de 1970. Joseph Love, Robert Levine e John Wirth publicaram pesquisas, respectivamente, sobre o papel de São Paulo, Pernambuco e Minas Gerais na federação brasileira no período entre a proclamação da república (1889) e o início do Estado Novo (1937). O título do livro de Love foi “São Paulo na federação – A locomotiva”. Tornaram-se estudos clássicos sobre as relações econômicas e políticas estabelecidas entre os estados na formação da república brasileira.

A reportagem do Diário de Pernambuco mostra os números impressionantes que as obras da Transnordestina e da ‘transposição’ do São Francisco. Os números que envolvem o complexo de Suape em Pernambuco são todos igualmente grandiosos. Todos apontam para perspectivas importantes de crescimento da riqueza e criação de uma infraestrutura capaz de alavancar outros investimentos. Pernambuco já é hoje também uma referência em universidades, ciência e tecnologia.

Entretanto, se possui o maior mercado privado de educação e a maior rede de universidades federais, a rede pública estadual de educação vai de mal a pior, com remendos e paliativos. A secretaria de educação distribuiu no ano passado laptops para os professores, mas paga um pouco mais que dois salários mínimos para o professor com jornada de 40 horas semanais. [Talvez o senador Cristóvão Buarque tenha razão e a educação pública só melhore efetivamente quando os políticos forem obrigados a matricular seus pimpolhos na rede pública]. O governador Eduardo Campos aprovou uma lei dando “aumentos” aos salários congelados há dois anos que destruíram o Plano de Carreiras da categoria conforme você pode verificar AQUI (comentário sobre a política salarial) e aqui (sítio do Sindicato dos Professores do Estado de Pernambuco).

grande desafio do estado é congregar este crescimento com o desenvolvimento social. Educação, saúde, segurança, habitação, transportes. A região de Ipojuca receberá nos próximos meses e terá em 2011 um número de operários trabalhando na construção da Refinaria Abreu e Lima estimado em um terço da população que o município já tem hoje, conforme matéria do Jornal do Commercio, que você pode ler aqui.

O crescimento do estado e da região vem apresentando bons números nos últimos anos, mas é interessante também observar que apesar deles, a participação do Nordeste na produção nacional manteve-se relativamente estável nos últimos vinte anos, pelo menos com números que vão até 2005. Não há possibilidade de equilíbrio federativo com números tão dissonantes. Os investimentos industriais e em infraestrutura de que tratamos aqui, entretanto, podem apontar para uma descentralização mais efetiva da atividade industrial no Brasil, já que pelos até 2005 os percentuais de distribuição do PIB entre as regiões do Brasil permaneciam inalterados há 20 anos.

(Portal do Luis Nassif)