O Sensus registrou pesquisa (7.594/2010) no TSE. O pesquisadores estarão em campo entre os dias 5 e 9 de abril. Os resultados podem ser divulgados a partir de sábado, mesmo dia previsto para o lançamento da candidatura de José Serra (PSDB), em Brasília. O Ibope deve fazer pesquisa presidencial na próxima semana, mas ainda não confirmou. Se fizer, pegaria os efeitos (se houver) do lançamento da candidatura tucana sobre a intenção de voto.

O questionário do Sensus pode ser visto aqui: Questionario-3. A pesquisa foi contratada pelo Sindicato dos Empregados nas Empresas Concessionárias no Ramo de Rodovias e Estradas em Geral do Estado do Paraná (Sindecrep).

Antes da intenção de voto estimulada, o questionário pergunta como o entrevistado avalia o governo Lula (ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo) e pede para ele explicar a razão pela qual ele avalia assim o governo. Na intenção de voto estimulada, diferentemente de Ibope e Datafolha, o Sensus coloca, ao lado do nome do candidato, o seu partido.

A ordem das perguntas de avaliação do governo e de intenção de voto varia de instituto para instituto. Ibope e Datafolha, por exemplo, fazem a bateria de perguntas sobre a intenção de voto (espontânea, estimulada, grau de conhecimento e rejeição) antes de pedir para o entrevistado avaliar o governo.

Qualquer tentativa de medir um fenômeno implica algum grau de alteração do que se pretende medir. Um pesquisador, ao abordar um eleitor e perguntar em quem ele pretende votar para presidente, está impondo um problema sobre o qual ele não havia refletido antes (dois terços não sabem citar o nome de um candidato válido espontaneamente). Outros tipos de interferência podem afetar o resultado.

A ordem das perguntas no questionário é uma delas. Trata-se de um fenômeno bem estudado e comprovado (leia “Erros nas pesquisas eleitorais e de opinião”, de Alberto Carlos de Almeida). Por isso, os institutos devem tomar todas as precauções para minimizar as interferências de uma questão sobre outra: se o eleitor acabou de dizer que o governo é ruim ou péssimo, ele próprio vai se sentir constrangido em declarar voto no candidato do governo. O inverso também é verdadeiro.

Detalhes diferentes na estruturação do questionário, somados à data em que os pesquisadores vão a campo e às diferenças de plano amostral (locais onde são feitas as entrevistas), podem explicar pequenas diferenças de resultados entre os institutos. Mas, comparadas ao longo do tempo, as tendências dos candidatos nos diferentes institutos deveriam apontar na mesma direção, já que, a despeito das diferenças metodológicas, o fenômeno que estão medindo é o mesmo.

(José Roberto de Toledo – Agência Estado)