Coerente com a história com que sustentou para justificar a “recuperação” de José Serra o Datafolha divulga uma pesquisa realizada no Rio Grande do Sul. Para governador, nenhuma surpresa ao indicar um virtual empate entre Tarso Genro e José Fogaça.

Mas na eleição presidencial, os números divulgados pelo Datafolha mostram que, para dizer o mínimo, alguém ali está – na gíria gaúcha – “fora da casinha”. Casinha, no interior,  é isso mesmo que você pensou, aquele lugarzinho onde todos que não têm “um parafuso a menos” entram, na hora da precisão…

Veja só: na pesquisa espontânea, Dilma lidera com 13%, e há mais 7% de “votos” para Lula, 2% para “o candidato do PT” e 1% “para o candidato do Lula”. Esta soma dá 23%. .Serra tem 11% nas menções espontâneas.Logo, 66% dos entrevistados estão fora destas opções polarizadas. Segundo a pesquisa, 59% não sabem em quem vão votar, 4% vão votar nulo, 1% em Ciro e menos de 1% em Marina Silva. Há 2% para outras respostas, nas quais este percentual de Marina está incluído.

Muito bem, mas aí vem a pesquisa estimulada. Daqueles 66% que não disseram votar Dilma-Lula-candidato do PT/ Lula ou em José Serra, no primeiro cenário, 15% vão para nenhum/não sabe/brancos/nulos. Sobram 51%. Ciro e Marina levam 13%, sobram 38%. Serra pula dos 11 para 45, ganhando 34%. Sobram, portanto, 4% para Dilma. O 1% restante deve-se aos arredondamentos.

No segundo cenário, é ainda mais espantoso: A soma nenhum/não sabe/brancos/nulos e Marina Silva dá 25 pontos. Tirando isso dos 66 que não estavam espontaneamente polarizados temos 42 pontos. E Destes, Serra ganha 37!!! Dilma, os mesmos quatro.
Estatísticamente, isso não existe. Um candidato que tem lembrança e simpatia suficientes para, na pesquisa estimulada, levar mais da metade das menções dos 66% não definidos não fica tão baixo na menção espontânea. Uma candidata que lidera com tanta margem na espontânea  não acrescenta tão pouco – bem menos de um décimo dos não-decididos – ao seu nome ser mencionado. Só – e olhe lá – se tivesse uma absurda rejeição, pelo menos  beirando os 50%, o que o próprio Datafolha diz que não há.
No dia 12 de agosto passado, o Estadão publicou o resultado de uma pesquisa presidencial no Rio Grande do Sul, feita pelo Vox Populi. O resultado indicava Dilma com 26% contra 25% de Serra. Ciro Gomes tinha 16% e a brava Heloisa Helena, do Psol, tinha 10%.
Logo, neste período em que todo mundo concorda que Dilma cresceu, o Datafolha diz que ela não cresceu no Rio Grande. E que os eleitores que Ciro e Heloísa Helena perderam foram todos para José Serra.

Só um  “fora da casinha” pode acreditar nisso.

Ao comentar as diferenças entre as pesquisas nacionais do Datafolha e do Vox Populi – que divergem numa diferença de 9 contra 3 pontos de vantagem para Serra, o colunista Josias de Souza, da Folha, falando de uma diferença de seis pontos, diz: “As divergências, por expressivas, não podem ser escamoteadas pela maleabilidade estatística. Alguém errou.”

Nesta aí, do Rio Grande, onde a “maelabilidade estatística” chega não a seis, mas a 20 ou mais pontos, ninguém errou. Alguém mentiu.

(www.tijolaco.com)