O Ceará se tornou mais violento quanto aos assassinatos. A taxa de homicídios cearense é maior do que a da região Nordeste e também mais alta do que no Brasil, conforme levantamento do Instituto Sangari, que leva em consideração dados do Ministério da Saúde, entre 1997 e 2007. No Ceará, o crescimento chega a 57,4%. No Nordeste, esse número ficou em 53,3% & foi a região que teve o maior aumento. Pernambuco foi o estado nordestino com melhores resultados & com taxa de 6,8% – enquanto o País apresenta índice negativo de -0,7%. Os dados fazem parte do Mapa da Violência 2010 & Anatomia dos homicídios no Brasil.

O estudo mostra que Fortaleza é a 10ª capital mais violenta sob o mesmo critério & as taxas de homicídio. Maceió (AL) lidera a lista, seguida por Recife (PE) e Vitória (ES). Em Fortaleza, a taxa de homicídio é de 40,3 por 100 mil habitantes. Na capital mais violenta, Maceió, o número é 97,4 por 100 mil. Em Recife, 87,5.

Na população de 0 a 19 anos, também há crescimento da taxa de homicídios no Ceará. São 122,9% no Estado contra 88,6% na região Nordeste. No País, o índice é de 23%. Quanto aos homicídios na população jovem (de 15 a 24 anos), de 1997 a 2007, o Ceará também mostra crescimento & de 88,3%. O aumento é, mais uma vez, superior à taxa da região e à taxa do País.

Uma das vítimas que forma a estatística foi o cearense Assis Sampaio, assassinado em 2003 quando tinha 21 anos. Ele voltava do café da manhã com a tia em uma padaria no bairro Conjunto Ceará. Pegou a bicicleta e foi para o trabalho. Acabara de ser pai e estava animado com o emprego novo de montador de móveis.

Eram quase 8 horas quando foi abordado por um homem na Granja Portugal que queria a bicicleta. Morreu com um tiro na cabeça. E o homem nem levou a bicicleta. Com medo da reação de populares, fugiu. “Foi só pra matar mesmo“, aponta a tia Maria Alice.

Para o diretor-geral da Guarda Municipal de Fortaleza, Arimá Rocha, é esse o tipo de homicídio que mais preocupa, o juvenil. Segundo ele, uma das causas para o aumento dessa violência entre os jovens é a desigualdade social, e não a pobreza. “Isso é a materialização da desigualdade social, porque esses jovens não têm acesso a bens materiais dignos de vida, à formação profissional de qualidade e estão perdendo a esperança“, analisa Arimá.

O que não pode existir, a partir da constatação, é acomodação. Arimá Rocha cita que, ao contrário, essa situação é anormal. “Não podemos tratar isso com normalidade. Vivemos em um estado de exceção, de horror. Isso não é normal, isso não se dá em todo lugar. Se nós nos acostumarmos com esses números, estamos fadados ao fracasso, vamos perder essa geração de jovens e dificilmente vamos recuperar a geração futura“. (Colaborou Bruno de Castro)

EMAIS

– O diretor da Guarda Municipal de Fortaleza, Arimá Rocha, aponta como política de prevenção à violência juvenil as ações implementadas a partir do Pronasci, o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, do Ministério da Justiça.

– Em Fortaleza, um exemplo está no Bom Jardim, considerado “Território de Paz“ desde dezembro. Lá, ocorrem políticas de prevenção para jovens.

– O Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos Homicídios no Brasil é produzido pelo Instituto Sangari. São utilizados dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

– O período estudado (1997-2007) representa a gestão de quatro governadores: Tasso Jereissati (PSDB & 1º janeiro de 1995 a 6 de abril de 2002), Beni Veras (PSDB & 6 abril de 2002 a 1º jane ro de 2003), Lúcio Alcântara (ex-PSDB, hoje no PR & 1º de janeiro de 2003 a 1º janeiro de 2007) e Cid Gomes (PSB & 2007).

(O Povo Online)

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