Pernambuco até tem o que comemorar, mas ainda muito a fazer ao analisar os dados quinta versão do Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos Homicídios no Brasil. O documento, de autoria do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, do Instituto Sangari, foi divulgado hoje em São Paulo e pesquisou as mortes por homicídio em nove regiões metropolitanas tradicionais – Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, na década compreendida entre 1997 e 2007.


Confira a pesquisa na íntegra.

No período, o número mortes em números absolutos no estado cresceu 22,9% (passou de 3.710 assassinatos em 1997, para 4.560, em 2007). O índice, no entanto, é o menor da região Nordeste, que apresentou crescimento médio de 76,5%. Em números relativos (taxa calculada por 100 mil habitantes), o aumento foi de 6,8%, enquanto a média regional foi de 53,3%.

Em relação ao ranking nacional, ainda levando-se em conta a taxa de homicídio por 100 mil, Pernambuco ocupa a terceira posição (a mesma que ocupava em 97), passando de 49,7 para 53,1. O primeiro lugar ficou com Alagoas, que aumentou de 24,1, em 1997, para 59,6 em 2007. Em segundo, vem o Espírito Santo, de 50 para 53,2.

Quando a pesquisa analisou apenas as capitais, Recife foi a única da região a apresentar queda. A redução foi de 6,4%, em números absolutos, passando de 1.430 em 1997 para 1.338 em 2007. A média regional foi de crescimento de 55,7%. A capital pernambucana caiu de primeiro para o segundo lugar na taxa de homicídios por 100 mil habitantes, reduzindo de 105,3, em 1997, para 87,5, em 2007. O primeiro passou a ser ocupado pela cidade de Maceió, que cresceu de 38,4 para 97,4, passando da nona posição no ranking para o incômodo primeiro lugar.

A pior notícia do Mapa para o Estado foi o crescimento de 19,6% no número de mortes registradas na Região Metropolitana do Recife. Em número absolutos, passou de 2.240 mortes em 97, para 2.680, em 2007. A RMR perde apenas para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro (com 4.885 mortes em 2007) e São Paulo (3.812).

A tendência de queda no número de mortes por homicídio nas capitais e de crescimento nas cidades vizinhas foi uma das revelações do Mapa de uma maneira geral. Fenômeno chamado de “interiorização da violência” e registrado em todo o país.

Com isso, algumas cidades da RMR apareceram na lista. Limoeiro, por exemplo, ocupa a 16ª posição no ranking nacional que contabiliza as taxas médias de homicídio (em 100.000) na população total dos municípios. Com 57,6 mil moradores, a cidade teve 51 mortes em 2007, e taxa de 88,6. Já o Recife aparece na 19ª posição, com 87,5. Itapissuma é a 20ª, com 87,4 e o Cabo de Santo Agostinho aparece em 23º (86,3).

O fenômeno histórico da morte de jovens em Pernambuco também não passou desapercebido no estudo. Em relação ao número de homicídios na população de 0 a 19 anos, Pernambuco apresentou crescimento de 36,2%, enquanto a média regional foi de 82,1%. O estado manteve-se em terceiro, perdendo para o Espírito Santo e para Alagoas.

Entre as capitais, o Recife chegou ao primeiro lugar. O número de mortes por 100 mil habitantes cresceu de 57,4 para 61,2. Em 1997, a cidade ocupava o segundo lugar. Em primeiro, estava Vitória do Espírito Santo, que reduziu suas taxas de 61,5 para 56,3.

“Assim, pode-se afirmar que a história recente da violência que resulta em homicídio, no Brasil, é a história do crescimento dessa violência entre jovens. Uma não terá solução sem a outra”, afirma Júlio Waiselfisz no estudo, segundo o qual 512,2 mil pessoas morreram no Brasil vítimas de homicídio entre 1997 e 2007.

(Diário de Pernambuco)

Anúncios