Um relatório sobre a cidade de São Paulo, encomendado pelo Programa das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (UN-Habitat), gerou problemas com a Prefeitura da capital paulista. O documento, que seria divulgado no 5º Fórum Urbano Mundial (realizado de 22 a 26 de março no Rio de Janeiro), elogia a gestão de Marta Suplicy na política habitacional e critica, sem citar nomes, a gestão Serra/Kassab.

Contudo, de forma lamentável, essa divulgação foi suspensa após queixa oficial.
Para o deputado Paulo Teixeira, secretário de Habitação de São Paulo na gestão de Marta, o sucesso daquela administração se deveu à diversidade de programas habitacionais e ao diálogo aberto com a sociedade.

Confira abaixo reportagem da Folha e repercussão do Estadão:

Prefeitura de SP ataca relatório da ONU que elogia PT

Um relatório sobre a cidade de São Paulo encomendado pelo UN-Habitat (Programa das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos) gerou uma crise com a Prefeitura de São Paulo. Sua divulgação, prevista para ontem (24) no 5º Fórum Urbano Mundial, foi suspensa.

O texto elogia a política habitacional de Marta Suplicy (PT) e critica, sem citar nomes, seus sucessores José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM).
Após ter acesso a um rascunho do relatório “São Paulo: um Conto de Duas Cidades”, a superintendente de habitação popular da prefeitura, Elisabete França, enviou e-mail ao chefe da divisão de pesquisas do UN-Habitat, Eduardo Moreno, reclamando que o texto, do consultor independente Christopher Horwood, “mais parece um panfleto político do que um estudo técnico”.

O UN-Habitat recuou. Alberto Paranhos, autoridade principal do escritório para América Latina e Caribe, disse que será marcada nova data, mas só após o autor do texto apresentar suas críticas à prefeitura e ouvir suas considerações.

“Não temos problema em criticar, mas adotamos como prática apresentar as críticas antes para dar direito de réplica e ter certeza de que o que está escrito é verdadeiro. No caso desse documento, quando descobrimos que ele já estava sendo impresso, suspendemos o processo. Mas algumas cópias acabaram sendo divulgadas”, afirmou Paranhos.

A Folha foi um dos veículos a ter acesso ao relatório. Os quatro primeiros capítulos trazem dados de uma pesquisa feita em parceria com a Fundação Seade, vinculada ao governo de São Paulo. No quinto parágrafo, é feita uma análise das políticas públicas habitacionais.

O texto diz que a gestão Marta “marcou importante era na política habitacional de São Paulo”, citando positivamente a criação das Zonas Especiais de Interesse Social, o programa Bairro Legal e os Centros Educacionais Unificados.

O documento afirma que os sucessores da petista não deram continuidade a algumas dessas políticas e que especialistas consultados “concordam que as autoridades municipais não estão cientes ou comprometidas com a melhoria das condições de vida em cortiços e favelas”.

A Folha tentou entrar em contato com Horwood, mas não conseguiu localizá-lo.

ONU nega viés ideológico em estudo sobre São Paulo
(Estadão, 25 de março de 2010 | 19h 38)

O mexicano Eduardo Moreno, coordenador da pesquisa feita pelo do Programa para Assentamentos Humanos das Nações Unidas (ONU-Habitat) sobre a cidade de São Paulo, defendeu hoje as conclusões apresentadas pelo estudo e negou que documento tenha viés ideológico ou partidário.

A Prefeitura de São Paulo apresentou uma série de reclamações sobre o documento, acusando-o, principalmente, de fazer elogios à administração da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) e de omitir informações sobre a gestão de José Serra. A queixa fez com que a ONU-Habitat adiasse para junho o lançamento do relatório, que deveria ter sido apresentado hoje, durante solenidade no 5.º Fórum Urbano Mundial, que acontece no Rio.

Moreno afirmou que o texto foi elaborado a partir de fatos analisados por um grupo de pesquisadores e compilados por um consultor independente, o inglês Christopher Horwood. “O que eles estão a reclamar é que tem uma certa posição ideológica (no estudo). Minha resposta é que vejo fatos”, afirmou Moreno. “O que não vamos fazer de nenhuma maneira é entrar num debate ideológico ou político. Essa não é a posição da ONU”, concluiu o coordenador, destacando ainda que se houver confirmação de dado ou fato errado na pesquisa, o texto poderá ser alterado.

A posição de Moreno se opõe à postura do representante do escritório regional do Habitat, Alberto Paranhos, que deu razão às reclamações da prefeitura. “O que Alberto diz é correto até certo ponto. A tônica dessa série de relatórios não é deixar ao final a municipalidade expressar o que ela quer. Se a prefeitura quer escrever um livro sobre São Paulo que o faça”, disse Moreno.

Apesar da polêmica, a pesquisa São Paulo: Um Conto de Duas Cidades apresenta um quadro positivo da cidade. Mesmo com disparidades críticas entre os bairros mais ricos e mais pobres, a divisão social no município está diminuindo – de acordo com o texto da ONU-Habitat. Moema, Pinheiros, Jardim Paulista, Perdizes e Itaim Bibi têm índices de desenvolvimento humano similares a de países como Suécia e Canadá. Do outro lado, Marsilac, Parelheiros, Lajeado, Jardim Ângela e Iguatemi se comparam ao Azerbaijão.

“Indicadores de violência, redução de pobreza e cobertura de serviços básicos mostram que há tendência de redução de desigualdade”, avaliou Moreno.

(Do gabinete do deputado federal Paulo Teixeira)

(Blog do Favre)

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