SÃO PAULO – A empresa resultante da fusão das redes de varejo Ricardo Eletrol  e da Insinuante, que se chamará Máquina de Vendas, espera atingir um faturamento do R$ 10 bilhões nos próximos quatro anos, dobrando o faturamento atual das duas companhias, de R$ 5 bilhões.

O resultado coloca o novo grupo como a segunda maior empresa de eletroeletrônicos e móveis do País, ultrapassando o Magazine Luiza e ficando atrás apenas da gigante formada pela união de Pão de Açúcar, Ponto Frio e Casas Bahia.

Segundo informação das empresas, a marca Insinuante será a bandeira predominante nas regiões Nordeste e Norte do País enquanto a Ricardo Eletro será utilizada no Centro Oeste e Sudeste.

Já o número de lojas, conforme as empresas, deverá saltar de 528 para mil. A holding espera inaugurar 50 novas unidades este ano, inclusive em regiões em que as duas marcas ainda não estão presentes.

As empresas atuam em 200 cidades distribuídas em 16 Estados mais o Distrito Federal. O controle da holding será compartilhado com 50% de participação de Ricardo Nunes, da Ricardo Eletro, que irá presidir a companhia, e 50% de Luiz Carlos Batista, da Insinuante, que ficará à frente do conselho executivo da holding.

Disputa

Nos últimos anos, as duas redes travavam uma disputa pesada na região Nordeste, grande filão de crescimento do consumo do País. A rede Insinuante, que esteve no páreo para comprar o Ponto Frio adquirido na metade do ano passado pelo Grupo Pão de Açúcar teria visto na união com Ricardo Eletro uma forma de rebater o avanço do próprio Pão de Açúcar.

“Esse negócio é uma reação à compra das Casas Bahia pelo Pão de Açúcar. E faz sentido porque o varejo de eletroeletrônico é um mercado muito competitivo, com um grande número de redes regionais que precisam se expandir”, afirma Cláudio Felisoni, presidente do Conselho do Programa de Administração de Varejo (Provar).

Ele destaca que, com o crescimento do poder de consumo da classe C, concentrada especialmente na região Nordeste, as redes regionais tendem a se fortalecer para brigar por esse consumidor emergente e fazer frente ao megaconglomerado formado por Pão de Açúcar e Casas Bahia.

Obstáculos

Apesar de as duas redes ganharem sinergia com a união, há dúvidas quanto à compatibilidade entre as empresas. Segundo fontes de mercado, a rede mineira teria um endividamento bem maior que o da Insinuante. A rede baiana é considerada pelos analistas de mercado como uma empresa “redonda” financeiramente.

Outro obstáculo ao casamento das empresas é a diferença na gestão. Ricardo Nunes, presidente da rede que leva seu nome, é conhecido por seu estilo concentrador. Há relatos de que vendedores das lojas da rede já chegaram, em alguns casos, a consultá-lo no celular para saber se poderiam dar desconto em uma venda. Na Insinuante, no entanto, a forma de gestão é mais descentralizada, o que dá maior autonomia aos executivos da empresa.

(Estadão Online Econmomia)

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