Por 219 a 212, a Câmara dos Deputados americana aprovou uma reforma da saúde que dará aos pobres americanos acesso a serviços de saúde de graça.

Trinta e quatro deputados do partido de Obama, o Democrata, votaram contra ele.

O Senado já tinha aprovado e agora a lei vai à sanção de Obama.

É um quase-SUS, muito aquém da vitória que os pobres brasileiros obtiveram na Constituição de 88.

E aquém do que os vizinhos, os canadenses, tem há muito tempo: saúde universal, gratuita e com um provedor estatal único (quem quiser o serviço particular, que pague).

Leia também o artigo do prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman.

Krugman estabelece um contraste interessante.

O último discurso de Obama aos membros do Partido Democrata, antes da votação de ontem (*) disse: “We are not bound to win, but we are bound to be true. We are not bound to succeed, but we are bound to let whatever light we have shine.”

Nós não temos que vencer, temos que ser verdadeiros. Nós não temos que ser bem-sucedidos. Temos que deixar que nos ilumine qualquer luz que possamos ver.

(Tradução do PHA, não literal)

Ao mesmo tempo, o grande líder dos DEMO-tucanos, quer dizer, dos Republicanos, Newt Gingrich, fez sinistra profecia.

Se os Democratas aprovassem a reforma da saúde, teriam  o mesmo destino que tiveram no Sul dos Estados Unidos, depois que o grande presidente democrata, Lyndon Johnson, aprovou a lei da integração racial.

De fato, depois daí, como o próprio Johnson previu, o Sul, de inclinação escravista até hoje, costumava derrotar os democratas.

Ou seja, na hora de a onça beber água, lá, como aqui, a questão racial aflora.

Ponteaguda.

Na hora de ajudar os pobres (negros, em boa parte), um presidente negro se confronta com uma critica apocalíptica, de inflexão racista.

A Ku-Klux-Khan está viva e forte (lá e cá).

(Paulo Henrique Amorim – Conversa Afiada)

Anúncios