O presidente francês, Nicolas Sarkozy, vota em Paris acompanhado da primeira-dama Carla Bruni

A União por um Movimento Popular (UMP), partido do presidente Nicolas Sarkozy, não teve um bom desempenho ontem na primeira etapa das eleições regionais da França. A sigla foi superada pela performance do Partido Socialista, em uma disputa que contou ainda com um bom resultado da Frente Nacional, de extrema-direita.

Os resultados finais mostram que os Socialistas, de oposição, podem conseguir uma boa vitória diante da UMP no próximo domingo, quando ocorre a segunda e última etapa das eleições regionais no país. Trata-se da última importante disputa antes da corrida presidencial de 2012.

A briga regional é apontada como um teste crucial para a popularidade de Sarkozy. O Partido Socialista obteve 29,5% dos votos na primeira etapa, em 22 regiões. Já a UMP obteve 26,2%, segundo o Ministério do Interior. O resultado foi avaliado como uma punição dos eleitores por causa da crise econômica global. Esse quadro elevou o índice de desemprego francês para seu pior nível em uma década.

A direitista Frente Nacional, liderada por Jean-Marie Le Pen, obteve um resultado melhor que o esperado, com quase 12% dos votos. A sigla deve agora levar sua mensagem contrária à imigração para a segunda rodada eleitoral, quando ocorrem disputas em 12 regiões do país. Ontem, podiam votar 44 milhões de eleitores. O comparecimento, porém, foi um recorde negativo, ficando em 46,36%.

Não houve comentário público do palácio presidencial sobre as eleições. O primeiro-ministro, François Fillon, disse esperar um resultado melhor da UMP na segunda fase dos pleitos. “É difícil realizar eleições regionais, de meio de mandato, no contexto de um crise financeira global”, analisou hoje Fillon.

Alianças – O Partido Socialista trabalhava para formar alianças com siglas menores antes da segunda fase da disputa regional. Os socialistas devem obter o apoio do Europe Ecologie, partido verde francês que obteve 12,5% dos votos no domingo. O partido de Sarkozy enfrenta ainda o desafio da extrema-direita, que ameaça enfraquecer a campanha do UMP em várias regiões, abrindo espaço para a vitória do Partido Socialista.

Quase três anos após assumir, Sarkozy tem seu pior índice de aprovação e analistas concordam com a possibilidade de ele não se reeleger em 2012. O presidente francês tenta reduzir a importância da atual disputa, afirmando que não haverá grandes mudanças em seu gabinete mesmo que os 20 membros de sua equipe sejam derrotados nas urnas.

Sarkozy, de 55 anos, foi eleito para reativar a economia francesa, que perdia força. Outra promessa dele era reduzir o desemprego para abaixo dos 5%, mas a pior recessão no país desde a Segunda Guerra forçou seu governo a mudar o rumo. Centenas de milhares de empregos foram cortados na França, e o presidente investiu bilhões de euros do orçamento público para tentar criar novas vagas e recuperar a economia. As informações são da Dow Jones.

(Estadão.com.br)

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