O terremoto que atingiu o Chile no dia 27 de fevereiro mexeu com toda a América do Sul. Esta semana, a rede CNN informou, em seu site, que o abalo sísmico alterou a posição relativa de áreas sul-americanas, citando as ilhas Malvinas, na Argentina, e a cidade de Fortaleza. “Isso acontece quando há abalos sísmicos grandes, como o do Chile, que foi de magnitude 8,8“, lembra o professor do Laboratório de Geofísica da Universidade Federal do Ceará (UFC), Mariano Castelo Branco.

O abalo sísmico no Chile foi causado pelo impacto de duas placas tectônicas: a de Nazca, que fica no Oceano Pacífico, e a Sul-Americana. Após o impacto, as placas se movimentaram. A cidade chilena de Concepción, por exemplo, se deslocou três metros a oeste. “Tem lugares que mexem mais e outros que mexem menos“, informa o coordenador do Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Joaquim Ferreira.

O estudo divulgado pela rede CNN não informa quanto Fortaleza se deslocou. “O que se sabe é que foi para o lado oeste, em direção ao Pacífico. Foi coisa de centímetros“, estima o geólogo Mariano. “Se a placa fosse rígida, toda ela se moveria da mesma forma. Mas não é“, acrescenta Joaquim Ferreira, lembrando que há rupturas nas placas. Os especialistas destacam ainda que toda a América do Sul se deslocou após o terremoto no Chile. O movimento foi maior nas cidades que ficam mais próximas ao epicentro do tremor.

Dias mais curtos – No início do mês, cientistas da Nasa, a agência especial americana, afirmaram que o terremoto pode ter alterado o eixo da Terra, reduzindo a duração dos dias em 1,26 microssegundo. “É muito pouco. Cada micro é um milionésimo de segundo“, ressalta o professor Mariano. O geólogo informa ainda que essas mudanças causadas pelo terremoto no Chile são imperceptíveis. “Não causa nenhum impacto“, diz, lembrando que não há motivo para temor ou preocupação.

E-MAIS

> Além de citar as ilhas Malvinas e as cidades de Fortaleza e Concepción, o site da rede CNN informou sobre a mudança na posição relativa da capital chilena, Santiago, que teria se deslocado cerca de 20 cm para sudoeste.

> Segundo a rede CNN, o estudo sobre a posição das cidades envolveu quatro instituições norte-americanas: a Universidade do Estado de Ohio, a Universidade do Havaí, a Universidade de Menphis e o Instituto de Tecnologia da Califórnia.

> O trabalho também teve o apoio de instituições da América do Sul.
> Ainda de acordo com a CNN, os dados foram obtidos a partir de medidas de aparelhos GPS.

> O terremoto no Chile foi um dos mais fortes da história. Causou centenas de mortes, tsunamis e destruiu casas e pontes, especialmente na região centro-sul do país. O epicentro do tremor foi no mar.

> O Chile está numa região sujeita a terremotos. O país já sofreu com o maior terremoto de toda a história, de 9,5 graus de magnitude, em 1960.

SAIBA MAIS

TERREMOTO –  > É o fenômeno ou vibração brusca que acontece na superfície da Terra devido a choques subterrâneos de placas rochosas da crosta terrestre a centenas de quilômetros abaixo do solo.

PLACAS TECTÔNICAS –  > São porções da crosta terrestre limitadas por zona de convergência ou divergência. A crosta é constituída de placas que se movimentam interagindo entre si, o que ocasiona uma intensa atividade geológica, resultando em terremotos e vulcões nos limites das placas. Ao todo, há 15 placas tectônicas.

EPICENTRO –  > É o ponto da superfície terrestre diretamente acima do foco de um terremoto.

(O Povo Online)

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