O Brasil se saiu razoavelmente bem na comparação com o desempenho de outros países, mesmo com a queda de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Se ficou bem abaixo da alta de 8,7% da China e dos 6,8% alcançados pela Índia, os dois principais motores da economia global, o resultado brasileiro superou com folga o dos países desenvolvidos, que estiveram no epicentro da crise agravada pela quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. Os EUA viram o PIB encolher 2,4%, enquanto o Reino Unido amargou um tombo de 4,9%, a Alemanha, de 5% e o Japão, de 5,1%.

“Comparado com os outros países, o Brasil teve uma queda muito pequena, que a gente considera praticamente nula. União Europeia, Estados Unidos, México e outros tiveram uma queda no volume do PIB bem mais expressiva que o Brasil”, resumiu Rebeca Palis, gerente de contas trimestrais do IBGE.

Entre os países que fazem parte do Bric (o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China), a Rússia teve de longe o pior desempenho, registrando um tombo de 7,9% no ano passado. O tombo dos preços do petróleo em relação a 2008 derrubou o PIB russo. O México, que tem a economia fortemente ligada à dos EUA, também tomou um tombo feio, com o PIB encolhendo 6,5% no ano passado. O desempenho do Brasil chegou a superar até mesmo o de alguns países asiáticos, que normalmente crescem rápido, como a Tailândia, cujo PIB encolheu 2,3% em 2009.

O Brasil se sai bem melhor na fotografia quando se compara o resultado do quarto trimestre de 2009. A alta de 2% em relação ao terceiro trimestre, feito o ajuste sazonal, equivale a um crescimento anualizado de 8,4%. É um número bastante expressivo, não muito inferior aos 10% registrados pela China e até mesmo superior aos 6% obtidos pela Índia no período.

Nessa base de comparação, vários países desenvolvidos mostraram reação, indicando que a economia global se recupera, ainda que a passos não muito rápidos. Os EUA, por exemplo, tiveram uma expansão de 5,9% do PIB no quarto trimestre do ano passado, ritmo não muito distante dos 5% observados no Canadá. No Japão, o aumento foi de 4,9%

Na Europa, porém, a situação ainda é bastante preocupante. A zona do euro, por exemplo, teve crescimento anualizado de apenas 0,5% nos últimos três meses de 2009 em relação aos três meses anteriores. A economia europeia vive uma crise grave, por causa do temor de um calote da Grécia e das dificuldades fiscais de países como Espanha, Irlanda, Itália e Portugal.

Segundo previsões do J.P. Morgan, o Brasil deve registrar uma das maiores taxas de crescimento do mundo em 2010. O banco projeta alta de 6,2% para o PIB brasileiro neste ano, ritmo de expansão que só deve ser ultrapassado por alguns países asiáticos. Segundo o J.P. Morgan, a economia da China deve avançar 10%, a Índia, 8%, e Taiwan, 7%. Para os EUA, a expectativa do banco é de uma alta de 3,4%.

(Valor Ecômico)

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