O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que neste fim de semana inicia sua visita oficial ao Oriente Médio, ganhou o título de “profeta do diálogo” em entrevista publicada na edição digital do jornal israelense Haaretz na noite desta quinta-feira (11).

A publicação diz ainda que Lula é o “chefe de Estado mais popular da história do país” e afirma que “o consenso geral é que é simplesmente impossível não gostar dele”.

Lula, que mais de uma vez já ofereceu a mediação do Brasil no conflituoso Oriente Médio, vai se encontrar tanto com o presidente israelense, Shimon Peres, quanto com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

Essa “imparcialidade”, segundo o Haaretz, é marca registrada de Lula. Tanto que para definir qual jornalista faria a primeira pergunta da entrevista (o grupo tinha três israelenses e um representante árabe), o presidente pediu que todos tirassem par ou ímpar. “Lula tem que ser amado por todos”, diz o jornal.

A publicação israelense também fala sobre o encontro de Lula com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que nega o holocausto e mais de uma vez já pregou a destruição de Israel.

O presidente do Brasil, que apoia o programa nuclear iraniano “com fins pacíficos”, afirmou ao jornal que conversou com Ahmadinejad sobre suas declarações anti-Israel. “Eu falei com o presidente do Irã e deixei claro que ele não pode continuar dizendo que quer a liquidação de Israel, assim como é inaceitável que ele negue o holocausto, que é um legado de toda a humanidade. Eu também disse que o fato de ele ter diferenças com Israel não o autoriza a negar ou ignorar a história”.

O Haaretz lembra que Lula foi um dos primeiros chefes de Estado a receber Ahmadinejad após as sangrentas eleições iranianas de 2009, marcadas pela repressão e por suspeitas de fraudes. A publicação também salienta o fato de que o Brasil foi um dos cinco países a votar contra a condenação ao Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Ao Haaretz, Lula disse temer que as tensões entre Irã e Israel possam levar a uma guerra. “Os líderes com quem conversei acreditam que nós devemos agir rápido, porque de outra forma Israel vai atar o Irã. Eu não quer que Israel ataque o Irã, assim como não quero que o Irã ataque Israel”, disse o presidente.

(Portal R7)