A expansão econômica brasileira no pós-crise trará importantes benefícios ao mercado de trabalho cearense, favorecendo número recorde de geração de empregos no Estado. De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado ontem, serão criados 70.373 novos empregos este ano. Se confirmadas as estimativas da entidade, o Ceará obterá um incremento de 9,2% ante o resultado de 2009, rompendo assim a marca histórica atingida no ano passado, quando foram estabelecidos 64.436 novos postos de trabalho.

Os empregos que devem ser gerados em 2010, no Estado, correspondem a 3,5% das 2.000.697 vagas que serão criadas esse ano no Brasil, segundo o Ipea, e posiciona o Ceará como o 3º estado do Nordeste em relação à abertura de novos empregos, perdendo apenas para Bahia (83.160) e Pernambuco (70.600).

Comércio e indústria – O comércio (26.078) e a indústria (20.151) serão os setores que mais demandarão mão-de-obra no Estado, sendo responsáveis por cerca de 65,7% das novas vagas, previsões otimistas que já são festejadas pelo Governo do Estado. “São dados que a gente vê de maneira positiva, porque o comércio tem uma participação muito significativa no PIB e dá impulso à atividade econômica. Vemos tudo isso como parte de um ambiente conjuntural do Ceará”, afirma a titular da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social do Estado (STDS), Fátima Catunda.

O levantamento do Ipea mostra ainda que outras 332.168 vagas devem ser abertas em 2010 devido à demissão de trabalhadores, fruto da alta rotatividade do mercado brasileiro, modelo criticado por André Campos, técnico de pesquisa e planejamento do Ipea e um dos autores do estudo divulgado ontem. “O mercado é extremamente flexível. As empresa detêm o poder de demitir e admitir de forma ilimitada. Existem as multas, mas o impacto é reduzido. As empresas dispensam funcionários a seu bel-prazer”, diz.

O comércio (116.111) e a indústria (81.660) também lideram o ranking de rotatividade entre as áreas de atividades executadas no Ceará.

Demanda de 402 mil – Se somados os novos postos de trabalho gerados e as vagas abertas através da demissão de trabalhadores, o Estado já pode esperar uma demanda efetiva de mão-de-obra no total de 402.540 vagas em 2010.

Gargalo na mão-de-obra – Apesar das expectativas positivas para o corrente ano, o Ipea alerta para um grande vilão do desenvolvimento econômico do Ceará: a carência de mão-de-obra qualificada. Enquanto alguns setores apresentarão, este ano, excesso dessa força de trabalho – como o setor agrícola, cujas 11.202 pessoas com qualificação devem ficar sem emprego – outros devem registrar carência, com vagas ociosas por falta de trabalhadores sem capacitação profissional. No segmento de comércio e reparação, 8.205 postos de trabalho deixarão de ser ocupados por escassez de mão-de-obra capacitada.

Na indústria, 7.191; e no setor de educação, saúde e serviços sociais, 3.398. “Acredito que esses dados, relacionados ao saldo efetivo entre oferta e demanda de mão-de-obra em 2010, sintetizam toda a dinâmica do estudo. Ao passo em que há setores com excesso de trabalhadores qualificados, como o de outros serviços coletivos, sociais e pessoais, existem outros em que vão faltar vagas. Precisamos de políticas públicas para combater essa exclusão”, opina André Campos.

A secretária Fátima Catunda afirma que o governo estadual está trabalhando para superar tal problemática. “Isso não acontece apenas no Ceará. É uma carência estrutural brasileira, e estamos trabalhando para suprir essa demanda. Estamos realizando diversos investimentos em capacitação em áreas como construção civil, turismo, comércio e indústria têxtil”, assegura a titular da STDS.

(Diário do Nordeste)

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