Impressionante a unanimidade contra obtida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em relação ao enfoque dado à palestra que fez sobre Estado e capitalismo essa semana (leia mais), na Casa do Saber, no Rio. Em entrevistas à Folha de S.Paulo hoje, o sociólogo Francisco de Oliveira chama de “capitalismo de museu” o defendido por FHC, no que é reforçado pelo sociólogo Luiz Werneck Vianna para quem “a contraposição” discutida pelo ex-presidente entre forma de ser do Estado e capitalismo “é velha”.

De acordo com a visão do ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa, FHC tratou de uma questão extemporânea, porque o que se debate agora não é o tamanho do Estado, mas sua transparência. Professor aposentado da USP e ex-colega de FHC no CEBRAP (centro de estudos fundado pelo ex-presidente), Oliveira viu a análise do ex-chefe do Estado brasileiro, mais como a de um político “do que como a de um sociólogo, porque (ele) sabe que a figura do capitalismo competitivo é de museu, se é que já existiu”.

Oliveira lembrou que o capitalismo nasceu sob “forte intervenção estatal” em países hoje desenvolvidos que tiveram industrialização tardia como a Alemanha e o Japão e considera que resgatar o liberalismo como propõe FHC contra um Estado forte é uma “competição” perdida no mundo.

Para Werneck, sociólogo e professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio (IUPERJ), ao contrário do colocado pelo ex-presidente em sua palestra, a questão não se situa na prevalência do capitalismo corporativo ou de competição. “Essa contraposição é velha. O horizonte (agora) é outro, é como democratizar a relação entre Estado e sociedade”.

(www.zedirceu.com.br)

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